Sozinha mundo afora

Para mulheres que viajam sozinhas

Aventuras de aeroporto

Minha aventura já começou no aeroporto em São Paulo. Comprei passagem para viajar as 9h30 da manhã, mas a Tam resolveu mudar para 7h30. Como tem que chegar 2 horas antes no aeroporto para fazer check in, tive que vir de taxi e sair de casa 5 horas.
Na alfândega, quando passei minha mochila, a atendente olhou o conteúdo da mochila lá no raio X e chamou o agente, que imediatamente me fez abri-la, momento tenso. O que será que eles viram de perigoso? O agente foi tirando o conteúdo da minha mochila sem qualquer cerimônia como se a mochila fosse dele: Um livro, uma sacola com vários fios e conectores da minha parafernália eletrônica, uma nécessaire… pediu pra eu abri-la e lá estava o material pecaminoso que ele procurava – um desodorante em spray. Ele examinou o desodorante como se fosse um spray de pimenta e eu me senti como uma manifestante do movimento passe-livre.
Ele me explicou que eu não poderia embarcar com o desodorante, eu fiz cara de fazer-o-que e fiz anotação mental para, da próxima vez, comprar desodorante roll on.
Liberada da inspeção, fui para o local de embarque. Me deu até calor depois de passar pela inspeção então tirei o casaco. Aproveitei que tinha wi-fi na sala de embarque e chequei meus e-mails. Enquanto esperava um rapaz puxou conversa com um grupinho e disse que ia para ilha de páscoa. O grupinho perguntou se ele ia sozinho e ele confirmou, todo mundo ficou espantado da coragem do rapaz em viajar sozinho e eu dei risada cá comigo mesma.
Quando o embarque começou eu me levantei e comentei com o rapaz, que vinha logo atrás de mim, que eu também ia pra ilha de páscoa. E sozinha. Quando o grupinho ficou sabendo disso aí que se espantaram de verdade, fizeram graça com o rapaz dizendo que agora ele não estava mais sozinho e eu fiz cara de paisagem. Quando entrei no avião, fiquei imanando que atos terroristas daria para fazer com um desodorante spray:

– Obrigar todo mundo a mostrar o sovaco e mandar spray no povo fedido.
– envenenar o refrigerante com desodorante.
– atacar as comissárias com perfume de Rexona.
– jogar spray de Rexona no comandante, fazendo-o ficar temporariamente cego e sequestrar o avião…
É… pensando bem esse ultimo era até perigoso.

Na fila de três poltronas que eu fiquei, só tinha eu, então, aproveitei os travesseiros e me espalhei nas três poltronas e dormi o maior soninho bom, tentando fingir que eu não me incomodava nadinha com os solavancos nervosos que eu avião dava.
No desembarque, aquela burocracia danada, preenche papel, entrega papel, busca mala e vai pra imigração para ser liberado.
Novamente passei minha mochila no raio x. Novamente a mocinha chamou o agente que novamente abriu minha mochila e tirou de lá seu conteúdo sem a menor cerimônia. Comecei a achar que eu era, na verdade, uma terrorista internacional que atacava todo mundo com perfume de desodorante barato comprado em perfumaria da rua são bento e meu nome estava na lista de procurados da Interpol.
Ele xeretou tudo e perguntou se eu levava sabonete. Pronto! Agora era o sabonete que era suspeito? Só podia ser pegadinha. A terrorista higiênica atacava novamente. Disse a ele que sim, levava sabonete, no maior tom de desafio, mas ele me deixou passar – com o sabonete e tudo. Ufa!!
Comprei passagem para a van e na fila conheci uma brasileira que morava há 28 anos no Chile, e depois entrou mais um casal de brasileiros e uma outra chilena. Lá fomos nós. Eu, como já havia estado em Santiago, fiz a maior cara de entendida e apenas passei o endereço da rua onde deveria descer, me achando a tal. Mas meu momento de gloria durou pouco porque o motorista logo perguntou se eu ia ficar na avenida bellavista do bairro providencia ou Recoleta. Falei providencia cheia de convicção, mas quando chegou na providencia, nada de achar o numero do prédio. Expliquei tudo que eu me lembrava que ficava perto e ele logo sentenciou – Bairro recoleta. Ok, fui desmascarada. Mas cheguei no hostel sem mais problemas.

Hora de me acomodar. A atendente super fofa lembrava de mim, e a auxiliar dela também. Me deram até desconto! Quando fui desfazer a mala percebi que algo faltava: meu casaco. Tinha esquecido no aeroporto!
Saí para comprar um casaco novo e explorar a cidade.
Santiago é uma delicia! Continua uma delicia! Fiquei feliz de passar um dia aqui.
Daqui a pouco vou sair para jantar e amanha cedinho embarco para a Ilha. Espero que ninguém sisme com minha pasta de dentes.

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Publicado às 14 de junho de 2013 por em Viagem e marcado , , .
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