Sozinha mundo afora

Para mulheres que viajam sozinhas

Primeiro dia – Expedição Monte Roraima

Cheguei em Boa Vista as 3 da manhã e, graças aos céus, Boa vista deve ser a cidade com o aeroporto mais próximo da america latina. Em 5 minutos o taxi me deixou no hotel, só tomei um banho bem sem vergonha e caí no sono, porque as 9 da manha tinha reunião de apresentação da expedição ao Monte Roraima.
Cheguei lá pontualmente, conheci os outros participantes da comitiva, éramos 13 ao todo, e o palestrante da Roraima Adventures foi nos apresentando todo tipo de perrengue possível que poderia acontecer nessa viagem, dá medo! Vontade de largar tudo e sair correndo, voltar para o conforto do lar onde não existem perigos de cobras, escorpiões e aranhas venenosas, nem existe a possibilidade de se quebrar a perna e mesmo assim ainda ter que andar porque nenhum helicóptero vai te resgatar.
Eu estava disposta a não contratar carregador para minhas coisas, mas depois de ver as fotos da INACREDITAVEL, IMPOSSIVEL E INSTRANSPONÍVEL subida da montanha, eu mudei de ideia. Me juntei com um Suíço incrível que mais parecia baiano, e juntos contratamos um carregador.
Ficou marcado que a expedição começaria as 14 horas, horário que uma van nos levaria de boa vista para Santa Helena de Uiarén, na Venezuela , e lá passaríamos a noite, depois seguiríamos de jipe até Paraitepuy, a aldeia indígena na Venezuela para contratarmos os carregadores e onde nossa expedição realmente começaria, também conhecemos nossos guias:
– Humberto – Um índio que morava numa comunidade a coisa de 9 km da fronteira Brasil-Venezuela, que vivia da agricultura – o abacaxi que ele planta é coisa do outro mundo! Imenso, suculento e docinho.
– Marcelo – Um guia Venezuelano, que tinha um jeito de olhar a montanha que apaixonava. Ele olhava a montanha com respeito e admiração e ficar ao lado dele era tão bom, porque ele caminhava em silencio e serenidade.
Os dois fizeram toda diferença nessa viagem e eu vou relatando isso com o passar dos dias.
Quando chegamos na comunidade indígena, o Suíço, seu nome era Philipp, já havia conhecido nosso carregador – na verdade uma carregadora – Na verdade uma menina! Tinha 13 anos apenas. Quando eu a vi, meu instinto maternal já aflorou todo! De jeito nenhum uma menina de 13 anos ia carregar montanha acima um peso que eu mesma com 43 anos não queria carregar. O Suíço me apresentou a ela e seu olhar dizia a mesma coisa que o meu pensamento (só que em alemão). O Pai da menina, percebendo tudo, veio falar com a gente, fez aquele sermão de que ela já havia feito aquela viagem varias vezes, que era normal lá, que ele ia junto, depois umas quatro pessoas vieram me dizer que cultura é cultura e que não adianta se meter na economia de outro país, mas a verdade é que eu acabei aceitando, mas fiquei a viagem inteira pedindo perdão a Deus pelo absurdo que eu estava fazendo com aquela menina tão meiguinha e de aparência tão frágil.
Depois de tudo resolvido, bagagens despachadas, nossa aventura realmente começou, peguei minha mochila com os pertences que eu mesma iria carregar, meu bastão de caminhada, meu boné e toda minha coragem e comecei a caminhar rumo ao primeiro acampamento.
Caminhamos coisa de 12 km, aquele sobe e desce, eu estava morrendo de fome, doida para pararmos para almoçar, minha decepção, o almoço foi duas fatias de abacaxi, os dois primeiros dias eu passei muita fome, mas depois a coisa foi melhorando.
Chegamos no primeiro acampamento perto do por do sol, e eu tive contato com meu primeiro banho de rio, que aliás, foi uma delicia! Estava suada e casada e aquela água geladinha caindo nas costas foi o maior dos prazeres. Depois jantar, conversar um pouco e passei minha primeira noite na barraca de camping, que descobri feliz, não era nenhum sacrifício, foi até confortável.

DSC04448

Inicio da jornada, proxima parada Paraitepuy

DSC04532

Primeiro acampamento, Rio Tek

DSC04465

Os corajosos guerreiros

DSC04463

Pronta para os primeiros 12 km

DSC04460

Os carregadores

Um comentário em “Primeiro dia – Expedição Monte Roraima

  1. Marcos
    27 de janeiro de 2014

    Nilda,

    A forma que você descreve sua aventura, nos faz viajar junto.
    E essa história dessa menina “carregadora”, incrível como a situação faz com que tenhamos que aceitar algumas “regras” de sobrevivência. Isso não é exclusivo da Venezuela.
    Temos nossa Venezuela aqui mesmo no Brasil. A diferença é que ao mesmo tempo que temos muitas Venezuelas, também temos Suiças.

    Beijos

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Informação

Publicado às 5 de janeiro de 2014 por em Monte Roraima e marcado , , .
%d blogueiros gostam disto: