Sozinha mundo afora

Para mulheres que viajam sozinhas

Monte Roraima – 2o. dia

Levantamos cedo no primeiro acampamento, no rio tek e seguimos para o segundo, andamos coisa de 8 km, foi o dia mais fácil de todos os dias, nesse acampamento se chega na base do Monte, dia seguinte seria a subida.

Durante esses dois primeiros dias, nosso cenário se restringia a olhar o Monte Roraima e seu vizinho, Kukenan. Hora um estava encoberto de nuvens, ora o outro… o que nunca mudava de jeito nenhum eram as nuvens que se formavam entre os dois montes, ali, sempre, todo dia mesmo, estava encoberto. O Marcelo, nosso guia venezuelano, até que me explicou, mas eu perdi metade da explicação meteorológica falada em espanhol rápido.

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Visão do Monte Roraima

Eu fui o caminho quase todo ao lado do nosso guia Humberto. Ele era um doce! Me contou sobre sua vida na aldeia, da plantação que a meu entender era imensa, das 200 pessoas que viviam na comunidade e eram todos parentes, me ensinou varias palavras na sua língua natal, e foi de uma paciência comigo que emocionava. Eu gostava de andar perto dele porque ele passava um tempão calado, e com isso eu tinha tempo de olhar tudo, admirar tudo e organizar meus pensamentos, coisa que não dava para fazer quando o resto do pessoal estava perto, sempre tagarelando. Nada contra, obviamente, eu mesma as vezes me enfiava nas conversas e falava e falava, mas quando queria observar, admirar e ouvir os barulhos do caminho, grudava no Humberto ou no Marcelo.

Chegamos no segundo acampamento perto da hora do almoço, e assim que montaram as barracas que passaríamos a noite, a chuva começou. A lama tomou conta e eu fiquei com muita preguiça de enfrentar o lamaçal para ir no rio tomar banho, até porque o pessoal que voltava do rio me dizia que não valia a pena enfrentar a lama escorregadia. No segundo dia de caminhada, tomei meu primeiro banho de lenço umedecido.

E foi no segundo acampamento que eu percebi o estrago que os mosquitos do primeiro acampamento tinham feito nas minhas pernas, eu havia sido devorada! Literalmente! Minha perna estava simplesmente horrível.

 O segundo acampamento, que é na base da montanha, é muito ruim e mal estruturado, eu fiquei num lugar ruim demais, bem na lama, mas no fim da tarde, a chuva parou e nos reunimos, o grupo todo, para conversar e tirar fotos do por do sol.

Ficávamos olhando o caminho que percorreríamos no dia seguinte, devo confessar que dava muito medo! olhava aquele paredão pensando… COMO?? O Marcelo me dizia que ia ser tranquilo, mas quanto mais eu olhava o paredão, menos tranquilo aquilo parecia. Ficávamos vendo os pontos coloridos de pessoas subindo ou descendo e um frio percorria minha espinha, para piorar tudo, no paredão tinha duas cachoeiras por onde passaríamos, chamada de vale das lágrimas. Nós achamos que tinha esse nome porque aquela água que caía era a reunião de todas as lagrimas dos viajantes que choravam ao passar por ali.

Jantamos a luz de lanternas e quando escurece não tem nada para fazer alem de ir dormir, então, as 19h00 eu já estava de volta na minha barraca super arrependida de não ter levado um livro para ler.

Dia seguinte seria puxado, os guias nos disseram que levaria cinco horas para subir ate o topo, todo mundo foi dormir meio apreensivo.

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Lama do acampamento na base da montanha

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Publicado às 6 de janeiro de 2014 por em Monte Roraima e marcado , , .
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