Sozinha mundo afora

Para mulheres que viajam sozinhas

Tres dias no topo da montanha

4º. Dia – Primeiro dia no topo

O primeiro dia no topo foi o dia mais puxado,  uma caminhada de 24 km, 12 para ir e 12 para voltar. Vimos o ponto triplo, que tem um obelisco marcando o Brasil, a Venezuela e a Guiana, o vale dos cristais, que dá a maior vontade de pegar um cristalzinho e “El fosso” um impressionante buraco de não sei quantos metros de profundidade e até uma pequena cachoeira.

Quando acordamos o ceu estava aberto, mas pouco depois do café da manha, uma nuvem imensa se instalou e começamos a caminhada dentro dela.

Nuvem não é feita de algodão igual eu pensava, é feita de gotículas de água congelante e não tem nada de agradável em andar dentro dela.

Felizmente depois de algum tempo o tempo abriu novamente e a caminhada ficou bem agradável, tive que tirar os casacos e até consegui fazer umas fotos bem boas.

Pelo caminho tivemos contato com o sapinho do monte Roraima, minúsculo e simpático, todo mundo quis tirar foto dele, o Ed até tirou foto com ele no nariz. Quando chegamos num lago, o pessoal (eu não que não fiquei louca) tomou banho no lago de águas congelantes e foi aquela algazarra.

Esses dois fatos, mais o fato de um helicóptero ter entrado no monte Roraima, foi suficiente pra montanha fechar a cara e emburrar! E aí meu amigo, foi chuva! Uma chuva fininha e congelante que durou bem uns 14 km. Almoçamos na chuva, ao lado do el fosso, caminhamos na chuva e foi chuva! Chegou um ponto que não se via mais nada de interessante, porque não dava para ver mais que cinco metros a frente. Minha mão ficou tão gelada que quando chegamos no acampamento, eu não conseguia desamarrar a minha bota! A menininha que foi minha carregadora veio me trazer chocolate quente e me ajudou a desamarrar, uma fofa! Nessa noite não me animei nem a sair para jantar, alguém me trouxe uma sopa quentinha e eu não saí mais da minha barraca. Senti muito muito frio. Comprei um saco de dormir para temperaturas baixas, levei duas calças, usava duas meias e mesmo assim senti muito frio. Acordei num mal humor danado.

5º. Dia – segundo dia no topo

No cronograma da Roraima Adventures, esse seria o dia livre para não fazer nada. Acordamos e o tempo estava aberto, mas logo fechou. Estava num mal humor dos infernos, preferi ficar calada no meu canto, subi na “sala de jantar” para tomar café e sentei um pouco afastada de todo mundo, para não contaminar ninguém com minha cara amarrada.

O Marcelo veio falar comigo, perguntando se eu estava bem e eu disse que estava mal humorada.

– ah! Não fica assim, vem aqui! O que aconteceu?

– Não consegui dormir por causa do frio.

Ele me abraçou para me aquecer e me ensinou a musiquinha que ele e a mãe cantavam para o sol aparecer e aquecer… um fofo! A musiquinha era tão bobinha que meu humor até melhorou! O sol nem saiu mas meu coração aqueceu um pouquinho…

Ficar sem fazer nada é super chato e o Marcelo estava na maior fissura para andar então, perguntei a ele se podíamos ir no morro em frente – o Monte Maverick e ele topou na hora! Outros do grupo também toparam, alguns preferiram ficar na barraca descansando então, lá fomos nós! Se era para passar frio, que fosse pelo menos em outro lugar que ali na barraca rodeada de lama.

A caminhada para o monte maverick foi uma bobagem! Coisa de quinze minutos e a maior surpresa de todas! Lá no topo do monte não havia nuvem! A nuvem estava abaixo dele, no nosso acampamento, quem ficou, ficou no frio e na umidade. Quem foi recebeu de presente o sol e o céu azul!

Meu humor sarou de repente! Tiramos fotos, brincamos, contemplamos a paisagem e largateamos ao sol! Só descemos na hora do almoço.

O Marcelo nos contou historias do Monte Roraima e Kokenan, contou as lendas do lugar, falou sobre Makunaíma e prometeu nos levar a uma caverna ali perto. Depois do almoço rumamos para a caverna, e também foi super legal! O dia, que tinha a maior cara de ser um tédio sem nada para fazer, na verdade foi o melhor dia!

A tarde o tempo estava bem aberto e as poças dagua que se formam pelo caminho criaram encantadores espelhos d’água e eu aproveitei para contemplar e fotografar, aliás contemplar é a melhor coisa a fazer no monte Roraima, ele é extremamente silencioso e qualquer barulhinho pode ser ouvido a vários metros de distancia, os guias usavam isso para se comunicarem.

O silencio realmente impressiona, até o som da água corrente é discreto. Deve ser por isso que o Roraima fica irritado quando nos ouve gritando e fazendo algazarra, ele gosta de paz.

Eu não consegui fazer isso nenhum dia, mas desconfio que se ficasse bem quietinha e escutasse, ouviria a montanha.

No monte Roraima o dia termina as 18h30 então, jantamos e eu me recolhi para minha barraca. Outra noite de frio intenso e eu desejei de verdade ter alguém do lado para me aquecer.

6º. Dia – Terceiro dia no topo

Depois de uma noite mal dormida pelo frio intenso, acordamos para nosso ultimo passeio no monte Roraima, praticamente ultimo dia, pois o proximo, seria somente dedicado á decida e retorno.

Programação do dia: las ventanas e as Jacuzis.

Acordamos cedinho, mas o tempo estava totalmente fechado, só pudemos sair as 10 da manha e até lá, não havia muito o que fazer, aproveitei o tempo depois do café para me concentrar na montanha, estava um frio de fazer inveja e eu sentei na pedra fria (devidamente revestida por um isolante térmico cedido carinhosamente pelo desprendido Phillip, o Suiço) fechei meus olhos e me concentrei no escutar o silencio… impossível! Impressionante como pessoas fazem barulho. Depois de um tempo desisti e relaxei, o Marcelo nosso guia sentou do meu lado, ficamos conversando, ou melhor, ficamos calados apreciando a paisagem, era gostoso ficar ao lado dele porque ele meio que entendia o silencio, poucas pessoas conseguem isso. Ele saiu para caminhar com seus colegas e eu fui arrumar minhas coisas para a caminhada de logo mais.

Saímos com o tempo abrindo, todos rezando para que a ventana estivesse aberta. Como o pessoal demora, eu acabei indo na frente com o filho do Humberto, nosso guia, ele me levou nas jacusis.

É uma formação de piscinas que foram moldadas pela água. É um encanto! A energia do local é tão grande que dá vontade até de rezar.

Particularmente eu achei a maior falta de respeito do pessoal que entrou na água com sabonete e xampu e tomou banho, literalmente! Eu não consegui! Para mim, era quase como tomar banho na água benta… rsrsrs

Depois fomos nas ventanas e estava tudo fechado, não se enxergava nadinha! Parecia que depois da rocha existia uma parede totalmente branca! Tiramos fotos, ficamos ali contemplando e depois voltamos ao acampamento e uma ventania enorme apareceu, me fazendo correr para dentro da minha barraca, inclusive para almoçar, mas dali a pouco o ventou parou, o tempo abriu e algumas pessoas resolveram subir no Maverick novamente, e eu fui junto! La encima um enorme presente: o tempo estava todo aberto! Dava para ver tudo! Impressionante! Lindo! Fiquei feliz de ter subido lá, tiramos fotos, contemplamos e eu meio que me afastei do grupo para “ouvir a montanha”, foi bem gostoso. Fiquei no Maverick até a hora que deu, depois desci porque ainda não tinha tomado banho e estava esfriando bastante! Aproveitei que o corpo estava quente do exercício de descer o Maverick e fui tomar banho no lago congelante.

Acho que o Monte Roraima gostou do nosso grupo, porque só choveu no primeiro dia.

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Publicado às 10 de janeiro de 2014 por em Monte Roraima, Viagem e marcado , , .
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