Sozinha mundo afora

Para mulheres que viajam sozinhas

Monte Roraima – Impressões

No site da Roraima adventures, a agencia que me levou até o monte Roraima, dizia que o termo “conquistar a montanha” não servia para o Roraima, pois lá, tínhamos que nos deixar conquistar por ele.

Passei nove dias nessa expedição, quatro dias no topo, três noites no topo. Passei frio, fome, dores, fui comida por insetos, fiz minhas necessidades em um banheiro improvisado, tomei banho num rio de aguas beirando o congelamento.

E mesmo assim, saí de lá extasiada!

Como explicar isso?

Olhando secamente, não é nem o melhor passeio da vida. É muito perrengue, desconforto, o monte é frio, antipático, úmido, chove demais, a paisagem é de pedras com quase nenhuma vegetação, os animais quase não existem, a nuvem é tão presente que parece a dona da montanha.

E mesmo assim, eu estou doida para voltar.

Também existe uma diferença monstra entre a expectativa daqueles que ainda não subiram com a realidade experimentada por aqueles que subiram.

Na base, quando ainda sonhávamos com o que encontraríamos lá encima, fazíamos planos e rezávamos para que a subida fosse tranquila, eu nem tinha ideia do que me esperar. Imaginava um paraíso tropical inexplorado, imaginava céu coalhado de estrelas cadentes, imaginava uma experiência extra sensorial única no mundo.

A realidade é bem mais dura que isso.

E mesmo assim, é um lugar que encanta, que conquista, que me modificou.

O silencio da montanha foi o que eu mais percebi.  Não é um silencio opressivo, é aquele tipo de silencio que fazemos quando estamos do lado de alguém que gostamos muito e que não precisamos nem de palavras para sentir-se a vontade ao lado, sabe?  Um silencio que acolhe e dá conforto.

Outra coisa muito marcante é a sensação que a montanha é viva! E mais: viva e sábia. Fiquei com a sensação que ela conhecia o segredo do universo e nos daria, se tivéssemos a paciência necessária para buscar as respostas.

Muita gente no nosso grupo teve sonhos perturbadores com pessoas que já morreram, ou tiveram revelações no sonho. É como se uma consciência universal vivesse ali, naquelas rochas com formato de pessoas, de rostos – esfinges protetoras.

Algumas vivencias que temos não são tão fáceis de explicar em palavras. Acredito que no Monte Roraima seja assim tb. É mais uma percepção de alma, de consciência, mais que nosso lado racional pode entender.

Antes de sair de casa, achava que eu iria explorar a montanha, conhece-la. Voltei com a sensação oposta, acho que foi a montanha que me explorou e me conheceu e, até mais importante, mostrou para mim como eu era, do que eu era capaz.

Em literatura fala-se muito da “jornada do herói” usada em muitas historias, especialmente no cinema. Nosso herói está lá, vivendo a vidinha dele, no conforto da rotina quando algo acontece e o pobrezinho e arremessado na aventura, então, lá está ele fazendo coisas que nem imaginaria fazer e quando ele finalmente volta para sua rotina, volta modificado, renovado, outro.

Posso dizer que é assim quando exploramos o Roraima. A eu que acampou na base da montanha antes da subida era bem diferente da eu que acampou na base logo após a descida. Era uma eu mais sábia, mais experiente, mais resiliente. Uma capaz de encarar frio, fome, perrengue, aguas congelantes e sonhos reveladores.

Se vale a pena? Vale muito! O Roraima me conquistou, e é uma sensação que eu levarei para sempre comigo.

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Publicado às 25 de janeiro de 2014 por em Monte Roraima e marcado , , , .
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