Sozinha mundo afora

Para mulheres que viajam sozinhas

Travessia Serra dos órgãos – Teresópolis/Petrópolis

O parque nacional serra dos órgãos – Parnaso fica entre as cidades de Petropolis e Teresópolis e tem paisagens de tirar o folego. O trekking dura três dias e duas noites e se você tiver sorte e reservar com antecedência, consegue passar a noite nos abrigos, com chuveiro quente e cama quentinha. Mas também pode dormir em barracas na segurança dos abrigos.

Quando li sobre a Serra dos Órgãos, sabia que mais dia, menos dia, faria essa travessia. O momento apareceu num feriadão prolongado, fiz umas pesquisas na internet é achei o Freddy Duclerc, guia super gente boa, muito responsável e profissional que estava com um grupo formado para a travessia, entrei em contato e, após uma entrevista, ele me incluiu no grupo.

Fazer essa travessia requer um bom preparo físico. Não existem lugares planos, é subida e descida todos os dias, e anda-se coisa de 15 km por dia com mochila nas costas. Preparo é fundamental, perseverança, espirito de aventura também ajudam.

Mas vamos ao relato:

Saimos de São Paulo pela Terminal rodoviário Tietê, as 22h30 com destino à Teresópolis. Viajamos a noite inteira e eu nem dormi confortavelmente, porque fazia muito frio no ônibus. Chegamos ao nosso destino com 1h30 de atraso. Eram 17 pessoas, quinze caminhantes e dois guias. Da rodoviária de Teresópolis, duas vans nos esperavam para nos levar a uma padaria para o café da manha, e depois para a entrada do parque. O café da manha foi reconfortante e fizemos um breffing no parque antes de seguirmos viagem.

Nosso destino no primeiro dia: pedra do sino.

O percurso é de trilha fechada, quase não víamos o sol e, como havia chovido muito nos dias anteriores, o caminho é 70% subida. Eu não achei difícil e a vegetação compensa as dores e o cansaço. Uma variedade de flores coloridas e alegres, muitos pássaros e praticamente nenhum mosquito. Quanto amis avançávamos mais gostoso ficavam os cheios, as cores, as formas da trilha. As vezes a trilha abria e eramos brindados com a vista espetacular das montanhas ao redor.

Paramos para descansar perto de uma cachoeira, almoçamos mais adiante e pudemos descansar, eu até tirei um cochilo. No fim da tarde chegávamos ao primeiro acampamento. Um rapaz super simpático nos explicou as regras do lugar, nos mostrou nossos quartos e eu agradeci aos céus por uma beliche confortável e quentinha.

Deixamos nossas mochilas no abrigo e rumamos para apedra do sino para contemplar.

A visão é deslumbrante. Tivemos a visão do Rio de Janeiro, a baía de Guanabara e com alguma imaginação, dava até para ver o mar. (como ele se confunde com o azul do ceu, fiquei na duvida….)

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Vista da pedra do sino

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O Ponto mais alto do ponto mais alto!

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A Noite jantar que o Freddy fez para nós e dormir.

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O Primeiro abrigo

Segundo dia:

Dia de atravessar os 16 km faltantes rumo a Petrópolis. Caminhada duríssima! Precisamos até usar corda em alguns trechos para passar. A lama foi um dificultor e tanto! E em alguns pontos tivemos que praticamente subir engatinhando. Boa parte da trilha é de trilha fechada e em alguns trechos é bastante cansativo. Paramos para almoçar perto de uma nascente de agua cristalina e deliciosa. Terminamos a jornada bem cansados, bem sujos e bem elameados. Meu joelho resolveu dizer que existia da pior maneira e eu sofri bastante com dores. Logo eu, que sempre me vangloriei de nunca sentir dores no joelho, mas a quantidade de subidas e descidas foram demais para ele.

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O segundo abrigo

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Chegamos no segundo abrigo e fomos recepcionados pelo guarda-parque mais caloroso do mundo! Depois de nos alojar veio trazer uma bacia de pipocas quentinhas! E mais tarde um bule de café quente, foi muito bom! Nesse dia estava tão cansada e suja que nem quis esperar a fila do banho quente, encarei o banho frio mesmo (de graça e sem filas) e depois fiquei quietinha para melhorar a dor no joelho.

Dormimos todos juntos num salão único e, no dia seguinte após o café da manha, estávamos de novo na trilha, dessa vez uma mais curta.

Terceiro e ultimo dia!

O Ultimo dia é o dia mais tranquilo de todos.

Acordamos antes do nascer do sole rumamos para a pedra do açu, para ver o dia amanhecendo. era domingo de pascoa, nosso guia levou chocolate e comemos chocolate de pascoa vendo o sol nascer e transformar a paisagem.

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nascer do sol no Açu

Claro que, em se tratando de serra dos órgãos, o tranquilo é ainda um perrengue só. Uma descidona inescrupulosa, uma subidona aqui, uma encosta enlameada ali… mas comparada com o dia anterior foi molezinha. As 14h00 já tínhamos chegado no destino final do parque, de lá, tomar banho, almoçar, lagartear e voltar pra São Paulo.

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Fim da travessia: o melhor almoço de arroz, feijão e bife do mundo!

Das considerações.

A travessia é muito legal, mesmo! Vale a pena. Mesmo! A vista da serra é maravilhosa e de tirar o folego e cada etapa vencida, uma sensação boa de missão cumprida que só quem faz trilha entende.

Mas, eu acho que teria sido mais gostoso faze-la em mais dias, porque assim, poderíamos ter explorado as belezas do entorno, como a cachoeira veu de noiva que eu só ouvi falar, e muitos mirantes que eu só soube da existência vendo o mapa no parque e nos abrigos. A próxima vez que voltar, voltarei para mais dias, explorar a região.

3 comentários em “Travessia Serra dos órgãos – Teresópolis/Petrópolis

  1. Barbara
    3 de junho de 2014

    Estou pensando em fazer a trilha do Sino em um dia e a do Açu em outro, sem dormir nos abrigos. Mas não conheço a região e vou sozinha. Já li em alguns lugares para não ir sozinha, mas no próprio site do parque diz que é permitido, logo, acredito que não há perigo.
    Gostaria de ter dicas e se vale a pena fazer uma trilha de cada vez, pois não sei a distância uma da outra. Gostei muito das suas dicas!

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    • Nilda Brandão
      3 de junho de 2014

      Oi Barbara, não sei sua experiencia em fazer trilhas sozinha, mas pela minha observação, de teresopolis até a pedra do sino deve ser tranquilo caso vc tenha experiência, a trilha é bem demarcada, mas da pedra do sino em diante é complicado, algumas partes da trilha só deu para passar com cordas e ajuda, e eu n conseguia ver as marcações da trilha.

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    • Márcia
      24 de junho de 2014

      Bárbara, também estou querendo fazer a travessia e também penso em ir sozinha. Podemos fazer contato e ver se combinamos de fazer juntas!

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Publicado às 5 de maio de 2014 por em Serra dos órgãos e marcado , , , , , , .
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