Sozinha mundo afora

Para mulheres que viajam sozinhas

Trilha Inca – Segundo dia

O segundo dia é o dia do desafio: são 6 km apenas, mas com altimetria de pouco mais de 1000 metros.
Acordamos cedo, eu já sabia que o bicho ia pegar logo no café da manhã. Nos foi servido frutas frescas, iogurte, panquecas, pão, geleia, chás, café, leite, chocolate… um banquete! Tava com a maior cara de ultima refeição! O guia Juan falando o tempo todo para termos “positive attitude” e quanto mais ele falava, mas medo dava. Depois de nos refastelarmos com o banquete-breakfast, mochila nas costas e vamos nós. A trilha era dividida em duas partes, subimos a primeira, coisa de 600 metros, paramos para almoçar e depois completamos os 400 faltantes.
Resolvi subir devagar, até porque não dá mesmo para ir rápido, o coração dispara a cada passo dado. A primeira parte da subida foi difícil, mas bem menos difícil do que eu imaginei, pensei até que os guias estavam exagerando na previsão deles. Chegamos no check point do almoço até que fácil e, para ajudar mais ainda, o sol deu uma pausa e a trilha estava fresquinha e sombreada. Na parada tinha água, gatorade e chocolates para vender e eu reabasteci minha mochila. Foi uma ótima pausa antes de continuar, estava confiante que o restante seria tranquilo. Descansei coisa de 40 minutos e seguimos viagem.

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A segunda parte foi muito mais, mas muito mais mesmo! difícil que a primeira. É tão difícil que a paisagem até perde a graça. Tudo que eu pensava era que tinha que dar mais um passo, andar mais um minuto. Meu coração já estava trabalhando com 95% da capacidade fazia tanto tempo que eu comecei a sentir dores, o que me preocupou bastante, a única coisa que me animou foi ver que todos que eu encontrava no caminho estavam tão cansados e estafados quanto eu. Não faço idéia de quanto tempo andei, mas quando cheguei no topo, varias pessoas estavam lá para incentivar os últimos passos dos caminhantes. Muitos me aplaudiram e parabenizaram minha coragem, particularmente eu não me sentia corajosa, só queria beber água e por a mochila no chão. Quando cheguei no topo consegui olhar a paisagem e aí perdi o fôlego novamente, mas dessa vez, de contentamento.

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Pensa que acabou? Ainda tinha que descer tudo aquilo novamente, para chegar ao acampamento. E da-lhe descida. Descer tem a vantagem de não acelerar o coração, mas se não tomar cuidado, lá se vão as articulações. Nessa hora os bastões de caminhada realmente ajudam. Depois que me pareceu uma vida, cheguei no acampamento. Minha cabeça doía e meus músculos reclamavam. Nada que um chazinho de coca não resolvesse. Minha barraca já estava prontinha me esperando, e eu olhei no relógio para ver as horas, imaginando que já fosse cinco da tarde, mas não passava de uma da tarde, nem pude acreditar, parecia que eu tinha andado o dia inteiro. O resto do dia foi de descanso, fotos, papo com os demais e a noite me arrisquei nas minhas primeiras tentativas de fazer fotos do céu estrelado com a minha Nikon.
Também foi a noite de conhecermos os carregadores e pessoal de apoio. Aproveitei para perguntar qual deles estava carregando minhas coisas e, para minha surpresa, era o cozinheiro. Olhei para ele com a maior cara de agradecimento que eu consegui e o abracei, agradecendo muito!
Brasileiro esquece que esse negocio de abraçar é coisa de brasileiro, e não sei foi por isso, ou pelas brincadeiras de todo mundo, o fato é que, depois disso, o cozinheiro ficou muito meu amigo, sempre pronto a me ajudar e até se ofereceu para levar mais coisas minhas, caso eu achasse que minha mochila estava muito pesada. De jeito nenhum eu faria o homem carregar mais coisas, ainda mais sabendo que ele já tinha um fardo de quase 30 kg para levar todos os dias.
Nessa noite jantamos pizza e foi o mistério mais comentado da mesa de jantar: Como diabos ele tinha arrumado um forno para assar a pizza? Alem de pizza, pasta, salada, arroz, batatas, frango… to dizendo, o cozinheiro era ninja!

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Publicado às 9 de setembro de 2014 por em Machu Picchu, Viagem e marcado , , .
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