Sozinha mundo afora

Para mulheres que viajam sozinhas

Salar de Uyuni – Bolivia

Consegue imaginar o maior deserto de sal do planeta?

Eu muito menos, nem sabia o que esperar desse tour, mas como tinha ouvido maravilhas e tinha tempo, encarei fazer o tour do Chile até a Bolivia para conhece-lo.

Aqui vai uma observação. Eu gosto de o que eu chamo de “Slow trip”. Esse negocio de fazer turismo correndo, cobrindo a maior área possível de atrativos, eu não gosto, e agora depois do Uyuni cheguei a conclusão que não gosto de jeito nenhum. Fazer viagem de 30 dias pela europa conhecendo vários países esta definitivamente fora de cogitação.

O tour passa por lugares incríveis, mas é assim: duas horas dentro do carro, quinze minutos do lugar. No final, mostrávamos as fotos para outro do tour e perguntávamos “que lugar era esse mesmo?” de tão rápido que passamos pelos lugares. O legal, para mim, é tirar fotos, caminhar tranquilamente e me envolver na energia do lugar, e isso, definitivamente, não deu para fazer nesse passeio, se vc gosta como eu de slow trip, faça o Uyuni pela bolivia, indo direto para lá e escolhendo os passeios ou fazendo um tour personalizado, que é possível segundo me contou um guia local. Mas vamos ao relato.

Primeiro dia:

O micro ônibus que vinha me pegar as 7h30 só chegou as 8h30 e foi atrasando com todo mundo que deveria pegar e por isso, chegamos na fronteira bem tarde.

Eramos 12 pessoas, 6 brasileiros, um casal argentino, um casal de uma ilha do pacífico com nome impronunciável, uma asiática que passou mal o primeiro dia todo por causa do mal de altitude, e uma californiana muito doida e divertida que topava tudo.

Passar pelo controle de alfandega é a coisa mais chata do mundo, demoramos um tempão porque, além de lentos, ainda só tinha um funcionário e tinha uma fila de micro ônibus de uns 10 na nossa frente. Com todo esse tempo, aproveitamos para nos conhecermos.

As 13h00 chegamos no próximo controle de fronteira, para entrar na bolivia, mas esse foi mais rápido. Descemos do micro ônibus e fomos divididos em dois grupos de 6 e cada um destinado a um carro, toyotas 4×4.

Deveríamos ter chegado no bolivia as 10 da manha, mas chegamos as 13, conclusão: o motorista da Toyota teve que abreviar todas as paradas para dar tempo de chegarmos no primeiro hotel de parada, fiquei bem puta da vida.

Primeira parada – Laguna branca

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Segunda parada – Laguna verde

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Terceira – Piscinas de aguas termais – parada para almoço

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Quarta – laguna colorada.

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Tudo muito lindo, encantador, cheios de flamingos e dos quais eu não posso falar muito porque ficamos só o tempo de tirar fotos, o que me entristeceu sobremaneira.

A tardinha chegamos no primeiro hotel, que não tinha agua quente nem chuveiro, e a luz era fornecida apenas das 7 as 9 da noite.

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Aproveitei a primeira noite para fazer fotos noturnas, mas o frio era tamanho que congelou meus dedos, fiz umas tentativas ajudada por outro rapaz brasileiro que fazia o tour e, depois que desligaram as luzes só nos restava dormir.

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Detalhes: levei meu saco de dormir mas nem precisei, o hotel era ótimo, quentinho e de cama macia. Dormimos os 6 no mesmo quarto.

Segundo dia:

Acordamos das 6 da manha para tomar café e uma surpresa boa: o dia estava lindo e não ventava mais, como no primeiro dia. Depois de arrumar nossas coisas, saímos para seja lá o que nos aguardasse.

Primeira parada: Um deserto de pedras parecido com o de Tara, só que maior e mais lindo. Por obra do destino, a argentina havia esquecido o celular no hotel e fez o motorista voltar com ela para buscar, por conta disso, pudemos aproveitar duas horas do lugar e foi para mim o melhor lugar de todos, tirei foto até cansar, escalei rochas e pude contemplar o lugar, foi excelente, tive até tempo para conhecer pessoas de outros grupos, brasileiros, claro.

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Depois seguimos por mais lagunas, mais montanhas e, desculpem, mas como foi tudo tão rápido, só tenho as fotos para me lembrar que eu passei por esses lugares, sem nada assim digno de nota para contar, parávamos, olhávamos, fotos, bate papo… o legal foi conhecer as pessoas, porque os lugares não dá para dizer que conheci.

Depois da maratona de sobe-e-desse da Toyota, tira foto, comenta a beleza, almoça, volta pro hotel, dessa vez dormimos num hotel feito todo de sal.

Estava na maior expectativa desse hotel, porque além de ter chuveiro quente, ainda tinha eletricidade e eu precisava carregar a bateria da câmera, sem contar o fato de ser um hotel de sal, quer coisa mais estranha?

O hotel foi meio que uma decepção, nada do que eu imaginei. Ele era bem simples, só tinha um chuveiro para todo mundo e ainda tinha que pagar 10 bolivares para usar. Banho de 5 minutos controlado por um senhorzinho que falava bem baixo e se movia em slow motion, mas consegui tomar banho mesmo assim.

A tomada era coletiva, só tinha uma e tinha tanta gambiarra nela que eu nem sei como foi que não explodiu tudo, mas no fim eu consegui carregar minha bateria.

E dormir foi complicado demais, acordava toda hora, tive sonhos estranhíssimos e parece que não foi só eu, outros do grupo também dormiram mal, parece que dormir no sal não é boa ideia afinal de contas.

Tinhamos que acordar as 5 da manha mas eu nem liguei, queria seguir viagem, chegar finalmente ao famoso salar de Uyuni.

Terceiro dia: O salar!

Finalmente chegaríamos no maior deserto de sal do mundo! Saímos antes do aol nascer para pegar ele lá no desertão.

Agora, pergunta se o sol tava aí para isso. Nada de nascer de sol explendoroso para nós, e nada de espelho dagua no salar como já vi em fotos, não chove há 10 meses por lá então, ele não estava no seu auge cinematográfico, mas ainda assim, bem impressionante.

Brincamos muito de torar fotos de perspectiva e depois seguimos viagem, parando em locais diferentes do salar, que, detalhe, tem até ilhas nele. No passado ele foi um mar que secou e virou aquele deserto, por isos as ilhas. Paramos em uma delas para o café da manha e por 30 bolívares, podíamos explorar a ilha, toda de cactos. Sobre os cactos, o guia nos disse que ele cresce 10 centimetros por ano! Tinha cacto lá de 10 metros de altura, imagina a idade ele! Dava vontade até de reverenciar.

O topo do ilha dava para ver a imensidão do salar e era de tirar o folego. Acho que nada que eu disser vai explicar a grandiosidade do lugar, tem que ir lá ver com os próprios olhos.

Depois do almoço, fomos numa parte do salar que é explorado e vimos como eles extraem o sal para uso, é coisa de loco! Eles exploram lá sei lá quanto anos, imagine que veria uma cratera, mas que nada! É tudo plano, como se nunca tivessem tirado sal nenhum de lá! Doideira! De onde vem todo esse sal, meu deus?

Conhecemos também o povoado que vive da exploração do sal, podemos ir na feirinha de artesanato de almoçamos por lá. Depois seguimos para a cidade de Uyuni, onde o grupo de dividiu. Alguns iriam ficar na bolivia e seguir viagem de lá, outros, como eu, iriam voltar para o Chile. Nos despedimos todos e quem ia voltar, 6 de nós, ficamos esperando o próximo carro que nos levaria ao próximo hotel para de lá voltarmos à fronteira.

Foi o melhor hotelzinho de todos e como o grupo já estava bem unido, foi uma noite super agradável. Aproveitei para carregar meu celular, arrumei minhas coisas, jantamos, papeamos e fomos dormir que no dia seguinte sairíamos as 4 da manha.

Ultimo dia:

Dia de voltar para San Pedro do Atacama.

Saímos do hotel antes do sol nascer, para 4 horas de viagem até a fronteira da bolivia com o chile. O motorista da Van, Wilson, era divertido e tinha aprendido umas palavras em português com outros viajantes:

– Puta que pariu

– caralho

– Tranquilo igual grilo

– Suave na nave

– de boa na lagoa

E nós riamos muito com ele. Aproveitamos para aumentar seu vocabulário e a viagem nem foi tão chata, especialmente porque o nascer do sol foi espetacular. Até paramos para tirar fotos (aproveitando que uma das toyotas precisava trocar o pneu e todas as outras pararam em solidariedade).

Fronteira é aquela chatice e demoramos horas, foi super chato! Mas as 15h00 já estava de volta a San Pedro.

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Publicado às 9 de janeiro de 2015 por em Atacama e marcado , , , , , , , , , .
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