Sozinha mundo afora

Para mulheres que viajam sozinhas

Atacama – Bike Tour

Ultimo dia no Atacama. Reservas de dinheiro escassas e um dia inteiro pela frente. O jeito foi alugar uma bike e sair por aí.

Fomos eu e meu novo amigo chileno, que conhecia uns lugares legais e foi meu guia.

Vale uma nota explicativa. A ultima vez que eu andei de bicicleta, elas nem tinham marcha ainda, eu nem sabia usar aquilo, e nem tinha certeza se ainda sabia andar de bicicleta. Outra coisa que notei é que estou beeem fora de forma!

Enfim… bike ajustada, café da manha tomado, capacete colocado, vamos nós pedalar pela impressionante cordilheira de sal. (e vc pensando que só existia a cordilheira dos andes, né?) Pelo que eu entendi, são quatro cordilheiras, a de sal, envolve o deserto do Atacama e acredito que tenha sido por conta dela que o deserto se originou, pra começar.  O dia estava ameno, sem sol forte demais e eu agradeci Pachamama por isso. Seria mais fácil pedalar.

Como o dia era meu, fomos pedalando bem devagar, parando para tirar fotos e comer frutas embaixo de arvores, bater papo e apreciar a paisagem. Dali a pouco saímos da estrada plana e entramos na cordilheira. Subida, subida, subida, numa estrada que variava de terra fofa a pedras com terra fofa. Cara! O que foi aquilo! Eu pedalava 10 metros e andava empurrando a bike outros 20 metros… chegamos em um túnel que, segundo me contou meu guia-amigo-personal biker, foi aberto pelas primeiras civilizações para ir do Atacama a Calama, depois modernizado pelos espanhóis para escoar a produção, depois melhorado pelo governo chileno. Também foi muito usado para execução de presos políticos na era da ditadura. O túnel impressiona um pouco, o teto é pura rocha, as paredes são concreto e no meio dele, um deslizamento fez o teto ceder um pouco e algumas rochas fecham parte do caminho. Deixamos nossas bikes no inicio do túnel e o atravessamos a pé. Do outro lado, podíamos escalar a montanha e ver a cordilheira de cima.

Visão impressionante. La encima encontramos um vestígio de construção. Almoçamos abacate olhando a imensidão, conversamos, esticamos nas pedras mornas e lagarteamos ao sol. Foi muito bom! Ninguém me dizendo que era hora de ir embora, entrar na van…

Descemos, pegamos nossas bikes e voltamos pra estrada de terra fofa, agora decida. Se eu tinha achado a subida ruim, a descida definitivamente não era coisa de Deus (rsrsrs). Dava um medo absurdo! Eu, desacostumada total e andar de bike, o precipício chamando meu nome a todo instante e aquelas milhares de pedras no caminho estreito. Foi foda! Andei empurrando a bike mais do que andei encima da bike. Ainda bem que meu amigo era muito paciente.

Chegamos numa casa abandonada (mais para um vilarejo abandonado) cheio de vestígios de viajantes e aproveitamos a sombra para (eu) descançar. Fotos, contemplação, hora de ir embora, próxima parada: Garganta do diabo. No caminho cruzamos um riachinho e tomamos banho de rio, refrescante e refazedor de energias. A garganta do diabo e um canion de rochas de sal, muito parecidos com a vale da lua, só que mais rude, digamos assim. Na entrada da garganta, dois guadiões, dois cachorros que nos acompanharam pelo caminho. O canion era bem fresquinho. Deixamos as bikes e adentramos na garganta. Dava medo! Um canion impressionante sem qualquer indicação de caminho e cheio de reentrâncias, passagens, becos… eu, que sou totalmente desorientada, não tinha ideia nem de como voltar! Se tivesse sozinha, nem teria me aventurado a entrar.

Os cachorros foram nos guiando, e entramos na gargantona do diabo. Fotos, caminhar, fotos, caminhar, parecia que não tinha fim, eu queria voltar, mas e a curiosidade para saber o que tem no fim? Se é que aquilo tinha fim? Depois de um tempo meu amigo começou a ficar inseguro do caminho e eu sugeri que voltássemos, jamais saberei onde a garganta vai dar, mas eu preferia não me perder.

Pegamos as bikes e voltamos para San Pedro. Era 16h00, estava cansada, suja e faminta! Devolvemos as bikes e fomos comer. Depois voltei para o hostel e tomei o melhor banho da minha vida!

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Publicado às 12 de janeiro de 2015 por em Atacama e marcado , , , , , .
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