Sozinha mundo afora

Para mulheres que viajam sozinhas

São Paulo – Virada cultural 2015

A virada cultural de São Paulo é de longe o maior evento cultural da cidade. São 24 horas de eventos espalhados pela cidade, mas com maior concentração no centro histórico.

São milhares de atrações para todos os gostos e todos os públicos. Começou as 18h00 do dia 20/06 e foi até as 18h00 do dia 21/06.

Eu, por medo de violência, roubos e etc, não quis ir a noite e aproveitei a virada apenas no dia seguinte. Teve ano que eu já virei na virada, fiquei quase que as 24 horas, mas esse ano deixei o medo ser meu guia, e não fui.

Vou contar como a virada foi para mim, que foi diferente do foi para milhares de outras pessoas, afinal, tem atração demais, coisa demais para ver e gostos diversos, mas vamos ao meu relato.

Cheguei no centro ao meio dia, preferi ir de metrô e deixar o carro em casa. Comigo levava apenas o celular, a câmera fotográfica pequena e um dinheiro para comer alguma coisa. Desci na estação sé do metrô sem nenhuma programação definida, nem sabia o que eu queria ver e nem tinha o mapa do evento. Saí do metrô e fui caminhando em direção ao vale do Anhangabaú para ver o que encontrava no caminho. Primeira coisa que eu notei: Muitos policiais na rua, em todo canto, segunda coisa, muitos banheiros químicos. As ruas estavam limpas, mas isso já vem acontecendo nas viradas anteriores. O dia estava lindo e o ceu azul, o clima super agradável e andar não estava sendo nenhum sacrifício. Segui pela rua da quitanda e atravesse o viaduto do chá. Um malabarista numa bicicleta de circo passou por mim.

Um grupo de “banhistas” em roupa de praia tomava sol em pleno viaduto, aqui e ali uma coisa acontecendo.

Ouvi som e vi que tinha um palco embaixo do viaduto, no vale do Anhangabaú, rumei para lá. Os Opalas se apresentavam, que felicidade! Samba rock de primeira, vários casais dançando. Cheguei perto do palco salivando de vontade de dançar. Olhei para um e outro, mas ninguém me tirou para dançar. Aqui um adendo. Galera de sambarock é super eletiva! Eles só tiram para dançar quem eles já conhecem e é muito, muito difícil entrar nessa panela. Uma discriminação com as branquinhas, se me permitem dizer. Mas fiquei por ali porque o som era bom demais, e sem dançar nenhuma vezinha, tristeza!

Dali a pouco chamam no palco a incrível, fantástica e swingueira Sandra de Sá e aí, meu amigo, dane-se o mundo… me acabei de dançar! Um rapaz super esquisito que mais parecia morador de rua começou a seguir meus passos e dali a pouco estávamos os dois dançando, nem liguei! O moço esquisito até que tinha ginga!  Sandra de Sá cantou quatro musicas e se foi.

Os Opalas cantaram mais duas, a ultima um sambarock conhecidíssimo que (desconfio) seja do Bebeto, Segura a nega. Nossa! Eu e ao esquisito nos acabamos de dançar.

Os Opalas foram embora, me despedi do parceiro-de-dança-morador-de-rua e segui meu caminho pra ver o que mais tinha por ali.

Desci o vale do Anhangabaú, um palco improvisado de punk music fazia vizinhança com um palco pequeno de reggae na maior paz, sem conflitos, intrigas nem nada.

Continuei andando e cheguei na praça da republica: Forró de raiz da melhor qualidade.

A gente fica tão de saco cheio de escutar sertanejo ruim, forró universitário, sofrências afins que esquece como é bom o forró de verdade, de raiz, com zabumba, triangulo e sanfona. No forró, diferente do sambarock, todo mundo te convida pra dançar e eu dancei viu! Sem medo de ser feliz! Dancei até o pé doer, com todo mundo que me convidou.

Depois que o grupo que se apresentava se despediu, fui andar, na praça da republica muita barraca de artesanato e comida, comi uma tapioca e continuei meu caminho, mas ali na frente outro palco de musicas regionais. Oswaldinho do acordeon se apresentava. Que nunca viu esse gênio, é melhor correr pra ver! O homem é um absurdo de bom! Perguntaram a ele como era o acordeon no resto do mundo e ele deu uma aula IMPRESSIONANTE de como se tocava acordeom em diversas partes do Brasil e seu nome regional, depois fez uma graça falando como se tocava o instrumento em outras partes do mundo, da argentina à arabia saudita, passando pelo japão, italia, frança… e terminou mostrando como um era “acordeom de metaleiro” e mandou um heavy metal no acordeom. FANTASTICO!

Continuei minha peregrinação e saí na avenida São João, olhei a programação e dali meia hora a Wanderleia ia se apresentar. Quase fiquei por lá mesmo, mas decidi continuar caminhando, mas ali na frente, no largo do Arouche, Maria Alcina ia subir no palco, magina se eu ia perder uma coisa dessas. Fiquei por ali uns minutos e dali a pouco ela sobe no palco! Espivitada como eu me lembrava e olha que nem sei que idade ela tem agora. Ouvi umas três musicas e segui meu caminho.

Cheguei no viaduto santa efigenia. Uma feira sensacional rolava por lá, barraquinhas dos dois lados do viaduto vendendo os produtos mais diferente e legais. Destaque para as barraquinhas exotéricas com leitores de tarô egípcio, cigano, indiano, leitura de mãos, Jogo de búzios. Destaque para uma barraquinha que vendia fotografias da cidade que formavam letras e vc podia montar seu nome. Destaque para a vendedora de turbantes super diferentes e fofos, e para a barraquinha e bolsas com frases super descoladas… cada barraquinha uma coisa divertida e inusitada, amei de paixão, pena que não havia saído de casa com dinheiro.

Da santa efigencia caí denovo passei pelo mosteiro São bento, no largo são bento, que também tinha programação na virada (acho que pela primeira vez) com apresentação de corais

e depois caí de novo no Anhangabaú, um palco tocava maracatu e o som era tão envolvente que eu não resisti (na verdade nem fiz força para resistir) me inebriei com os batuques e o colorido, a dança e as saias das meninas.

 Quando acabou passei pelo palco onde comecei, embaixo do viaduto, uma banda de Rap se apresentava e eu segui meu rumo, subi as escadas e passei por cima do viaduto novamente, desci a rua da quitanda e cheguei na rua XV de novembro, samba de roda da melhor qualidade, de raiz. Fiquei por lá um pouco e resolvi que estava na hora de voltar para casa, meus pés já doíam e a virada estava quase no fim. Passei pela praça da sé e mais samba de raiz, sambei um pouco com o pessoal que estava por lá e peguei o metrô.

Das  minhas impressões só confirmei o que eu acho da virada cultural de São Paulo.

Nas horas em que aproveitei a virada, não vi briga, furtos, roubos. Vi varias pessoas com câmeras fotográficas profissionais, vi pessoas passeando com seus cachorros, vi crianças de colo andando alegremente com seus pais. Vi morador de rua dançado ao lado de patricinhas, vi menino de família dormindo no mesmo espaço que o mendigo, vi casal do mesmo sexo dançando ao lado de casal de sexos diferentes.

Tinha bastante policiamento, a cidade estava limpa e o clima era de descontração mesmo! Não me senti ameaçada nenhuma vez, nem mesmo quando um morador de rua me pediu dinheiro, ofereci a ele minha coca cola e ele sorriu agradecendo satisfeito.

A virada se confirmou como o dia que a cidade é nossa! Das pessoas. Um dia no ano que andamos livremente por todos os lugares que, em dias normais, temos medo. A virada cultural se firma como o evento sensacional. Torço para que ele tenha ainda muitos anos de vida, sempre surpreendente, com cada vez mais pessoas dispostas a vencer o medo, o preconceito e curta de verdade a cidade e tudo que ela tem a oferecer.

   dsc08893-800x600 dsc08885-800x600 dsc08881-600x800 dsc08875-800x600 dsc08868-800x600 dsc08865-800x600 dsc08862-800x600 dsc08850-600x800 dsc08848-600x800

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Informação

Publicado às 21 de junho de 2015 por em São Paulo e marcado , .
%d blogueiros gostam disto: