Sozinha mundo afora

Para mulheres que viajam sozinhas

Chapada dos veadeiros – Cachoeira do segredo

O terceiro dia de passeios na chapada coincidia com o dia do meu aniversário.

Queria fazer alguma coisa especial, e o dia realmente foi especial. Como havia programado no dia anterior, eu e mais um grupo de 6 pessoas iria para a cachoeira do segredo. Fui no carro de um jovem casal mega lindo de Piracicaba e o Ivan que seria nosso guia; no outro carro, o trio de cariocas. A viagem começa tranquila por estrada asfaltada, mas logo ela se transforma em estrada de terra e depois vira aventura. A ideia era conseguir vencer o maior trajeto possível de carro e quando não desse mais, iriamos andar. O Ivan estava confiante que conseguiríamos avançar bastante, o maior desafio era cruzar os rios, quatro ao todo, pelo caminho. O carro que estávamos, com tração nas 4 rodas, sem dúvida passaria, o outro carro, um Ka 1.0, era a dúvida.  No caminho, com três piracicabanos no carro, falando caipirês e eu aprendi varias palavras do dialeto piracicabes, na ida e na volta.

O primeiro rio chegou e trouxe com ele uma paisagem de conto de fadas, nosso carro passou, descemos todos para dar apoio moral ao outro carro e ajudar na travessia, conseguiram! Cada rio que eles avançavam era motivo de festa e comemoração, no fim das contas, ele só não atravessou o ultimo rio. Deixaram o carro num estacionamento improvisado, junto com mais dois que também pararam ali, e seguimos adiante, todos no mesmo carro, meio apertado, mas ninguém reclamava, todos estavam felizes com a aventura.

Viajamos apertados coisa de 1 km e já era o lugar que não dava para seguir de carro. Descemos todos do carro e arrumamos as coisas para prosseguir a pé, com direito a foto de grupo e tudo mais.

Caminhamos um pouco e chegamos na entrada da fazenda para pagar a entrada, 25,00 de cada. Enquanto preenchíamos o formulário de entrada, um ciclista veio nos oferecer cristais de quartzo que ele tinha pego numa mina em São Jorge e estava vendendo para pagar a entrada dele e dos dois amigos. Disse que vieram da Bahia, direto da chapada diamantina e agora não podiam passar porque o porteiro não liberava a passagem sem o pagamento. Perguntei o preço dos cristais e ele disse que ele aceitaria o quanto eu quisesse pagar, eu ofereci 5,00 e ele me deu um cristal, outros do grupo também ajudaram, acredito que todos, na verdade, eles agradeceram e nós seguimos para a trilha.

A trilha da cachoeira do segredo é a mais linda de todas que eu fiz, beirando o rio o tempo todo, com aquela agua cristalina que faz o cenário mudar de tempos em tempos, parecia mesmo cenário de contos de fadas, não me surpreenderia nem um pouco se cruzasse com uma fadinha ou gnomo. Andamos mais ou menos 3,5 km e chegamos na prainha – uma parte do rio que dava para nadar e tinha uma margem de areia branquinha e fininha. Ao redor, bancos e espreguiçadeiras para usarmos.  Tomamos banho para refrescar e depois nos espreguiçamos ao sol, mais uns 400 metros e chegaríamos na cachoeira do segredo.

Anda um pouquinho, fotografa um pouquinho e dali a pouco estávamos olhando para a cachoeira mais imponente e exuberante de toda a chapada (para mim, até o momento), dava vontade de ajoelhar e prestar meus respeitos, reverenciar mesmo, tamanha sua grandiosidade e altivez. E uma surpresa: os três baianos da entrada estavam lá, conseguiram o dinheiro para passar pela entrada.

Como não batia sol na cachoeira, imaginei que a agua estivesse muito fria e nem cogitei entrar na agua, além do mais, aquela cachoeira era para contemplar, como uma pintura famosa.

Depois de me cansar de fazer fotos de todos os ângulos possíveis, sentei numa pedra para contemplar a cachoeira, aproveitei para colocar minhas orações em dia, não é todo dia que se chega num lugar daqueles, afastado de tudo, quase deserto (só tínhamos nós 6 e mais ou 3 baianos) e cheio de energia boa.

Fechei meus olhos e deixei a energia da cachoeira me alcançar. Não sei se é pelo momento que estou passando agora ou se estava meio sensível por ser meu aniversário, só sei que o que eu senti foi muito intenso. Senti como se o amor estivesse sendo derramado em mim. Amor puro e forte, como um abraço de alguém que amamos muito, cheio de ternura e acolhimento. De repente eu lembrei de todas as pessoas que eu amo, uma a uma, e cada uma que eu lembrava era como se estivesse ali do meu lado, enviei abraços para elas, na verdade me senti abraçando-as de verdade, beijando-as de verdade, será que elas sentiram? Para mim foi muito intenso, inventei de passar meu aniversário longe de todos, mas, graças à cachoeira, todos eles estavam ali comigo e eu doei amor a todos e foi muito real.

Fiquei nesse encantamento nem sei quanto tempo e foi muito bom.

O Ivan nos contou que a cachoeira tem esse nome porque o dono, quando perguntado onde ele estava extraindo quartzo rosa, respondia que era segredo. Mas sabe, depois de toda essa experiência amorosa, eu acho que o grande segredo mesmo, é que a cachoeira é a morada de Oxum.

Quando todos ficaram satisfeitos, voltamos para a prainha, com sol batendo na agua, pedras quentinhas e agua fresquinha, para tomar banho, comer e descansar.

Na volta o Ivan perguntou se queríamos esticar até as aguas termais, o grupo todo topou e lá fomos nós.

As aguas termais é um conjunto de 3 piscinas cuja agua é abastecida por um lençol de aguas quentes que sabe-se lá deus de onde saem, devem vir lá de caldas novas (risos). Depois de tanta agua gelada de rio, agua quente é coisa irresistível. Ficamos lá um tempão curtindo a agua quentinha e o sol já tinha ido embora quando resolvemos sair. Chegamos no hostel já passava das 20h00 e eu estava mais do que faminta! Faminta e cansada! Não queria encarar ir até a cidade para comer, perguntei pra Ana Paula se lá existia pizza delivery e não é que existia? Pedi uma pizza e fui tomar banho, trocar de roupa e descansar um pouco até a pizza chegar. A Rita, minha amiga portuguesa, já havia ido embora e o quarto estava todo meu, a pizza chegou eu comi no quarto mesmo. Pedi uma pizza media que era enorme e eu pensei que o que sobrasse deixaria na cozinha comunitária para os outros, mas quem disse que sobrou? Comi tudo! Inacreditável que eu comi uma pizza inteira.

Quando fui levar meu prato na cozinha o pessoal me zuou porque eu comi uma pizza sozinha, e eu comentei que era pizza de aniversario e pronto! Ficou todo mundo bravo comigo por não ter contado antes, ganhei abraços e beijos e felicitações. E assim passei o terceiro dia na chapada.

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