Sozinha mundo afora

Para mulheres que viajam sozinhas

Chapada dos Veadeiros – Poço encantado

No quarto dia eu fiz mais três amigos.

O Buto e a Cibele, paulistas, que tinham chegado de madrugada e a Claudia, minha nova colega de quarto.

O Buto e a Cibele eu conheci no café da manhã, casal super animado, ficamos amigos logo de cara. Eles estavam se programando para conhecer as cachoeiras e a Ana Paula, da recepção, indicou o poço encantado, a cachoeira dos cristais e a tarde o vale da lua.

Como eu não conhecia as duas primeiras, perguntei se podia ir junto, infelizmente eu dependia de carona para tudo mas eles foram super receptivos. O Ivan me emprestou seu colete salva vidas e fomos os três para a estrada.

O poço encantado ficava à 55 km de onde estávamos e fizemos o trajeto em coisa de 20 minutos, paga-se 20,00 para entrar e anda-se uma bobagem, coisa de 200 metros até a cachoeira.

A visão é incrível e eu achei essa a cachoeira mais acessível até o momento, com uma faixa de areia, parecia uma praiazinha particular e na hora que chegamos não tinha ninguém.

Graças ao colete eu pude nadar até a cachoeira sem medo e foi o banho mais gostoso. O Buto tinha uma GoPro e tirou várias fotos na agua, foi super divertido.

Nem sei quanto tempo fiquei brincando na agua, hora boiando, hora nadando, hora contemplando, hora posando para a GoPro, depois que me dei por satisfeita estiquei minha toalha na areia quentinha para me aquecer. A Cibele veio me dizer que o Buto já queria ir embora… What?? Pensei eu… mas acabamos de chegar! Ele não quis ir embora para meu alívio. Lagarteamos ao sol, conversamos, outras pessoas foram chegando e dali a pouco já tinha um grupinho considerável.

Aproveitei para fotografar os arredores e depois fomos embora. A ideia na volta era parar na cachoeira dos cristais mas o Buto perdeu a entrada. Como tudo é festa para quem está de férias, mudamos a programação para conhecer primeiro o vale da lua e na volta pegar a cachoeira dos cristais. Era quase hora do almoço quando chegamos próximo da entrada do vale então, resolvemos esticar mais 5 km e ir até São Jorge almoçar, indiquei a eles o restaurante da Nenzinha que eu já conhecia e a comida era boa e depois fomos tomar sorvete na sorveteria Jorge gelado (adorei esse nome). Estava uma tarde super preguiçosa, e ficar tomando sorvete olhando as pessoas indo e vindo, naquele calorzinho preguiçoso, foi tudo de bom! A Cibele nem queria mais ir embora. Preguiçamos mais um pouco e seguimos para o vale da lua. Como eu já conhecia, aproveitei para explorar os cantos que eu não tinha visto ou prestado atenção. Encontrei o trio carioca que lagarteava no sol, conversamos um pouco, depois aproveitei o super colete do Ivan para cair na agua e ir nos cantos que eu não tinha ido por não querer vestir colete. Delicia!

Próxima parada: cachoeira dos cristais.

Saímos do vale da lua e demos carona para duas garotas na estrada. Elas estavam indo para Alto paraíso e era caminho da cachoeira, fomos conversando e descobrimos que elas eram estudantes de Ouro Preto – MG, estavam há mais de 20 dias na estrada, viajando pedindo carona. Elas contaram suas aventuras até ali e no final o Buto perguntou se elas queriam ir na cachoeira dos cristais. Elas quiseram e nosso grupo aumentou para cinco pessoas.

A cachoeira dos cristais é um conjunto de várias quedas d’água que se vai encontrando por uma trilha a beira do rio, cada uma mais fofa que a outra, sendo as três últimas com os melhores poços para banho.  Como era bem fim de tarde e o sol quase não penetrava na agua, eu me abstive de entrar nas cachoeiras, apenas fazendo fotos e apreciando, até chegar na última que era a melhor de todas para banho e essa sim, totalmente acessível para chegar na queda, a agua não chegava nem no peito no lugar mais fundo, nem precisava de colete. Não resisti, mesmo sem sol e correndo o risco da agua estar geladíssima, eu entrei. Fui caminhando com vontade de gritar com o friozinho da agua e cheguei na queda, me enfiei embaixo e dessa vez soltei um grito mesmo, porque estava geladona! Mas de repente, parecia que eu estava recebendo chuva de alegria! Uma felicidade tão grande me invadiu que eu nem senti mais que a agua estava fria, nem estava mais fria na verdade. Estava fantástica! E eu sentia algo que quase beirava a euforia, foi muito intenso.

Depois saí da agua e fui fazer fotos, sentei no lado oposto do poço e conheci um casal, a mulher sentada na pedra me olhou e disse: “eu estava te vendo ali na agua, e você estava tão feliz! Quase entrei também”

Eu disse: “ devia ter entrado, a agua estava muito boa!” e ela respondeu: “dava para ver isso na expressão do seu rosto” Ficamos conversando e eu descobri que eles estavam viajando de Camper, uma espécie de Motorhome e já haviam feito toda a américa do sul, patagônia e agora estavam cobrindo o litoral do Brasil. Os dois eram super legais e me convidaram para ir conhecer a casinha deles, já que estavam hospedados no camping da fazenda ali mesmo. Fiquei ainda mais um tempo na cachoeira, até todo mundo começar a ir embora e resolvi ir também. O Buto e a Cibele já estavam na base da fazenda tomando café e apreciando o por do sol, o casal recém conhecido e as meninas mochileiras também. Me juntei a eles, sentei para ver o sol colorir as montanhas e apresentei todo mundo. A Cibele ficou encantada com o estilo de vida do casal, que contavam como estava sendo a viajem. Eu contei que em janeiro iria para a patagônia e torres del paine e ele me mostrou as fotos que fez de lá, morri de encantamento com as fotos, feliz de saber que em breve verias aqueles lagos e montanhas com meus próprios olhinhos também. Fomos todos conhecer o camper deles e eu devo confessar que achei o máximo! Todo mundo achou! Um camper é pequeno em comparação a uma motorhome, mas vc tem a vantagem que pode desconectar a parte de dormir e ficar com o carro livre para andar pela cidade com mais mobilidade. E o deles era demais de legal! Tinha geladeira ar condicionado, micro-ondas e até Tv e DVD! Todo mundo ficou em êxtase e eles ficaram muito orgulhosos da aventura! É uma pena que eu não peguei contato deles, seria um casal que eu ia gostar de ter na minha lista de amigos.

Já havia anoitecido quando voltamos ao Hostel e foi nessa hora que conheci a Claudia, minha amiga de quarto. Paulista, meio estressada como todos nós, preocupada com a programação, com o que iria fazer no dia seguinte e eu não deixei de pensar que cinco dias atrás eu estava igualzinha! Dia seguinte iriamos todos para a cachoeira Santa barbara e eu perguntei se ela queria ir, ela ir pensar porque o amigo dela só chegaria de madrugada e ela temia que ele estivesse muito cansado para uma viagem longa.

Tomei um banho bem demorado, deitei para ler um pouco e dlia a pouco estava no mais gostoso dos soninhos.

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