Sozinha mundo afora

Para mulheres que viajam sozinhas

Chapada dos veadeiros – Impressões

 

Algumas viagens parece que acontecem em nossas vidas para que aprendamos alguma coisa.

A Chapada dos Veadeiros foi um desses lugares que ensinam.

Resolvi viajar para a chapada por sua natureza, cachoeiras e cristais de quartzo, nem imaginava que traria para casa mais que fotos e lembranças… traria aprendizado.

Como eu gosto de viajar sozinha, aprendi a só contar comigo mesma então, eu planejo: quanto vou gastar, que passeios vou fazer, o que vou ver, como vou fazer. Quase que saio de São Paulo com um roteiro para ter o mínimo de surpresas desagradáveis e um certo controle de gastos.

Quando cheguei na chapada o primeiro choque: não existe planejamento prévio: não dá para sentar na agencia de viagens local e comprar passeios predeterminados com roteiro pronto. Tudo é meio que no improviso e isso me assustou num primeiro momento. Tive que soltar as rédeas do planejamento e me deixar levar e desconfio que foi a primeira vez que isso me aconteceu. Eu acordava pela manhã sem saber o que faria em seguida, deixando apenas que o acaso resolvesse minha programação, e deu tudo certo!

Foi uma sensação nova, não saber o que fazer em seguida… e foi boa!

Tive que aprender a me deixar levar, confiando que as coisas dariam certo. Aprendi o valor de verdade da palavra “confiar” e não fui decepcionada nenhuma vez, eu confiei e as coisas aconteceram.

Minha maior lição? As vezes a gente tem que confiar que as coisas vão se acertar e só isso, simples assim. Espero sinceramente levar esse aprendizado para outros aspectos da minha vida e para toda a minha vida.

Outro aspecto bom da chapada dos veadeiros é a energia boa que tem o lugar. Muitas das cachoeiras que eu entrei me proporcionaram experiências incríveis! Ora de completa felicidade, ora de amor, de relaxamento, de carinho… eu já entrei em várias cachoeiras na vida, mas as sensações que experimentei nesse lugar não aconteceram em outros momentos de vida. Algo magico, único, que eu vou levar para sempre comigo.

As pessoas que resolvem morar na chapada dos veadeiros (conheci poucos locais e muitos forasteiros que adotaram a cidade) levam no semblante esse desprendimento, como se eles tivessem também experimentado o que eu experimentei, só que em escalas muito maiores e isso os fez mudar de vida radicalmente: adotar uma postura mais saudável, curtir a natureza ao ponto de defende-la com unhas e dentes, sentir orgulho de chamar a chapada de seu lar.

Viajando pela estrada que leva de Brasília a Alto Paraíso de Goiás, percebi a devastação que as fazendas gigantescas estão fazendo no serrado. Entendi (um pouco) a briga entre ambientalistas e ruralistas. E sofri junto com alguns por perceber o descaso das autoridades, do Governo federal, das políticas ambientais que só existem no papel.  E esse foi meu segundo aprendizado: Não dá para beber dinheiro, não dá para comprar nascente de agua. O conceito (que eu devo admitir com uma certa vergonha) de que a agua está acabando é muito mais profundo do que cria a minha vã filosofia-paulistana-agua-na-torneira.

Quando eu cheguei tinha muitas críticas a fazer da organização turística da região: falta planejamento, falta transporte público e barato, falta regulamentação nos passeios… depois de passar 5 dias por lá, percebi que quem deveria mudar o jeito de ver os lugares era eu. A mim faltava entendimento para aceitar o ritmo próprio de cada lugar, entender a cultura local, aceitar que as cidades turísticas não devem ser padronizadas, perdendo suas características e esse foi meu terceiro aprendizado.

Devo á chapada dos veadeiros a paciência que ela teve em me mostrar minhas falhas, em me ensinar seus segredos e me mostrar seus tesouros. Rezo para que ela nunca perca seu jeito próprio e peculiar, para que as pessoas que a escolheram consigam salvar o serrado das mãos gananciosas dos ruralistas, para que outros estressados e controladores como eu se rendam à vida simples e sejam transformados pelas suas águas magicas.

A chapada dos veadeiros me ensinou e transformou. E eu vou levar isso para sempre em minha vida.

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6 comentários em “Chapada dos veadeiros – Impressões

  1. Maíra S.
    17 de agosto de 2017

    Olá Nilda! Que ótimos seus posts sobre a Chapada dos Veadeiros. Não só pelas dicas mas por me preparar para soltar as rédeas do planejamento e aprender a deixar as coisas fluírem. Também sou uma viajante solo entusiasmada, mas estou acostumada a viajar para centros urbanos e me virar sozinha. Dessa vez, fiquei com vontade de me aproximar da Natureza e surgiu a possibilidade de fazer um retiro na Chapada. Quase desisto de lá por ler tantos relatos de que é impossível se virar sem carro. Mas vou arriscar e ver se consigo caronas até as cachoeiras mais acessíveis e se dou sorte de achar algum grupo formado para as outras. Depois volto para contar. Obrigada pelo relato!

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    • Nilda Brandão
      19 de agosto de 2017

      É isso aí Maíra! Carona é quase constitucionalizada na chapada, aproveita toda aquela energia por mim. 🙂

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  2. Mari
    3 de junho de 2018

    Oi Nilda! Quero agradecê-la pela coragem que me deu de ir pra Chapada. Tinha um medinho de ir só – adoro viajar só, mas nunca fiz viagem-natureza by myself. Vai ser a primeira vez e vc me deu boa dose de coragem! obrigada!

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    • Nilda Brandão
      4 de junho de 2018

      Oi Mari! Que bom que meu relato te inspirou, vc vai amar, acredite! Boa viagem e divirta-se.

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  3. Thayna Santos
    31 de agosto de 2018

    Oi Nilda, eu vou para a chapada agora em outubro sozinha e de ônibus, alguma dica? Adorei seu post

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    • Nilda Brandão
      1 de setembro de 2018

      Oi Thayná, minha dica, faça amizade! Aceite carona, peça carona, e aproveite aquela energia boa por mim… E volta pra contar como foi! Boa viagem!

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Publicado às 8 de agosto de 2015 por em Chapada dos veadeiros e marcado , , , .
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