Sozinha mundo afora

Para mulheres que viajam sozinhas

Torres Del Paine – Circuito W – Primeiro dia

Em janeiro decidi encarar a trilha de Torres Del Paine, na Patagônia Chilena, incentivada por amigos que fui conhecendo em outras trilhas e que fizeram o circuito.

Decidi fazer a trilha sozinha, sem guia ou grupo, porque me disseram que a trilha é super bem demarcada e muito frequentada e eu não teria problema algum.

Fiz um planejamento extenso. Primeiro decidi que ficaria nos refúgios da trilha em vez de acampar, assim levaria menos peso e teria conforto, banho quente, janta quente, enfim. Perrengue com carinho. Depois de fazer umas pesquisas contatei a Fantastico Sur que fez todas as minhas reservas nos refúgios e eu não precisei me preocupar com nada. Como eu reservei com bastante antecedência, não tive problema para conseguir vagas, mas conheci pessoas nas trilhas que não conseguiram vaga em alguns refúgios e tiveram que dormir nos campings.

Ir para Torres de Paine não é barato. Gastei 930 dolares para reservar os refúgios, com jantar, café da manhã e lanche de trilha, além de cama com lençóis e cobertores e todo o conforto possível num refúgio. Os refúgios são ótimos! E minha experiência foi fantástica! Mas vamos ao relato.

O primeiro dia é dia de fazer nada. As 14 horas eu peguei o ônibus em Puerto Natales para a entrada do parque nacional, onde precisa passar por um controle, pagar 18.000 pesos chilenos e receber um mapa e explicações sobre o parque. Aqui já dei minha primeira mancada: Parei num guichê para pagar a taxa e depois tinha que levar o comprovante numa outra mesa para receber um carimbo e os mapas e regras do parque, quando levei o comprovante no balcão e alguém cutucou meu ombro, quando olhei era um senhor reclamando que eu tinha furado a fila, e só então eu notei que existia fila, pedi mil perdões, mas a moça já tinha pego meu comprovante, carimbado e já me devolvia o passaporte e perguntou se eu queria o mapa em espanhol ou inglês, respondi em espanhol e queria sair o mais rápido possível dali. Ainda escutei o senhor dizendo “ela é brasileira” de um jeito que pareceu que isso explicava porque eu furei fila, foi chato. Depois desse controle se peguei outro ônibus até o primeiro refúgio, chamado Torres central. Cheguei no refugio umas 17h00 e fiquei de boa sem fazer nada. Tomei banho, arrumei as coisas, conheci meus amigos de quarto (dois homens de algum país que eu não entendi qual era e nem reconhecia a língua quando eles falavam, mas que descobri mais tarde que eram um casal, três americanas, uma estava indo para a antártica e resolveu esticar até o parque já que era meio que caminho). Saí pelo refugio para ver se ouvia alguém falando português, mas não achei ninguém, parecia que eu era a única brasileira, o que era uma cosa inédita.

Fiquei numa das salas comuns que tinha uma janela incrível com vista para as montanhas e fiquei lendo meu livro até a hora da janta, quando deu o horário peguei meu voucher e rumei pro restaurante. Estou lá esperando a moça me atender quando escuto alguém dizer “olha lá ela denovo” olhei para o lado, lá estava o senhor da fila de controle e novamente lá estava eu furando a fila que eu nem notei que existia. Dessa vez fui para a fila como se nem tivesse notado o senhor. Reparei que a moça pegava o voucher e levava a pessoa até um lugar reservado. O senhor passou, outra pessoa também e dali a pouco era minha vez, ela pegou meu voucher e me conduziu a uma mesa e eu rezando baixinho “perto do senhor não, perto do senhor não…” e ela me fez sentar justamente enfrente do tal senhor, que constrangedor.

Entrei entre um homem e uma mulher que matinham uma conversa animadíssima, fiquei sem graça no meio da conversa deles e perguntei se ele não queria trocar de lugar. Ele sorriu e disse que não, que conversava comigo também. Descobri que era chileno, de San Pedro do Atacama e já havia morado no brasil por 3 meses, em Natal – RN. Alguém que falava português, fiquei grata, conversamos o jantar inteiro, ele era guia e me apresentou para seu grupo, de franceses e mais o outro guia que estava com ele, de Puerto Natales. Esqueci o senhor chato, que descobri que era da Espanha, conversei com a esposa dele para tentar quebrar o mal estar. Meu primeiro jantar foi super agradável, depois fomos tomar vinho nas mesas do lado de fora do refugio e conversamos mais. Quando todo o grupo de franceses estava reunido pedi licença e saí, já que nem entendia nada que diziam. Voltei pra sala de estar com meu livro e já haviam acendido o lareirinha da sala, estava quentinha e confortável e eu estava entretida com o livro quando meu recém amigo chileno voltou a me fazer companhia, mais papo bom, risada e momentos agradáveis. As 22h30 o sol se pôs e as luzes do lado do ceu estavam incríveis! Saímos para fotografar e estava um frio danado. Depois de mais um tempo e conversa nos despedimos para dormir, o dia ia começar agitado, caminhada até a base torres. Eu iria dormir no próximo refugio, Chileno e meu recém amigo ia dormir novamente no las torres então, nossos caminhos iam se distanciar.

Dormi o sono dos deuses esperando por um bom dia no dia seguinte.

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Publicado às 15 de janeiro de 2016 por em Torres del paine e marcado , , , , .
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