Sozinha mundo afora

Para mulheres que viajam sozinhas

Torres Del Pane – Segundo dia – Mirador Las Torres

Acordei no segundo dia com anuncio de dia fechado e aviso de chuva. Tentei não deixar isso influenciar negativamente meu dia, afinal, quem tá na trilha sabe que pode chover, pode esfriar, pode ventar…

Saí para tomar café da manhã e encontrei meus amigos chilenos e seu grupo de franceses. Todo mundo animado para o segundo dia de trilha e o primeiro de caminhar de verdade.

Arrumei minhas coisas rumo ao refúgio Chileno e, após deixar a mochila pesada, seguir até o mirador Las torres, o cartão postal do parque e primeira perninha do circuito W.

Quando olhei o mapa do circuito, ainda em casa, pensei que ia ser fácil demais. Ia andar coisa de 13 km aquele dia. Para quem gosta de correr, andar parece bem simples. Nem entendia como no mapa dizia que iria percorrer 5 km em 2 horas.

Mas como a realidade é sempre mais complicada que nossa expectativa, realmente andei coisa de 2 horas até chegar no refugio Chileno, cansada pra caramba e louca pra me livrar da mochila pesada.

No refúgio fui atendida por uma recepcionista incrível! Ela me deu as boas vindas da forma mais calorosa, adorou o fato de eu ser brasileira, me explicou tudo que tinha para eu saber sobre o refúgio, me mostrou o quarto (minha cama ainda não estava pronta aquele horário mas ela me deu um armário para guardar minhas coisas e a promessa que tudo estaria em ordem quando eu voltasse a tarde), me fez sentir bem vinda e querida e isso é como um bálsamo para viajantes. Fiquei tão grata de te-la conhecido e feliz de estar na trilha.

Carga aliviada dos ombros, só com uma mochilinha para carregar almoço e agua, lá fui eu, feliz e renovada de volta à trilha. O inicio da trilha é bem fácil, ainda mais que eu estava sem o peso da mochila, passando por um bosque estranhíssimo, de  (me disseram) árvores milenares. Muitas árvores mortas pelo caminho, muitos pássaros também, agradável. Mas dali a pouco começa a subida – e não é uma subida qualquer – é uma pedreira absolutamente inacreditável que parece ser infinita. A coisa mais incrível do mundo! Já tinha andado sobre pedras antes, a maior no vale do paty, mas aquela pedreira dava vontade de sentar e rezar, bater cabeça e reverenciar Pai Xangô. Claro que depois o cansaço vence e tudo que eu queria era chegar logo ao final do sobe-e-sobe da pedreira. Aqui um adendo: bendito seja quem inventou o bastão de caminhar.

Uma pedra aqui, uma pedra ali e finalmente depois de 1h45m, cheguei na base das três torres, cartão postal do parque, fotografado incontáveis vezes por pessoas mundo afora. Olhar aquela formação rochosa é como entrar num cartão postal ou numa revista. Aquela sensação que eu já estive lá,mesmo sem nunca ter estado, por conta de ter visto tanto a imagem. Nada é igual ver ao vivo, até porque a imagem nunca é igual, ou tem mais nuvem, ou menos nuvem, ou nenhuma nuvem, ou sol… no meu dia estava bem anuviado. Nem dava para ver as torres, uma tristeza. Encontrei o grupo de franceses e meus guias amigos. Sentei com eles para almoçar – um sanduiche de carne com salada tamanho-fome-de-refugiado, barras de cereal, chocolate, mix de castanhas e uma mexerica. Só comi o sanduiche e a fruta, guardei o resto para mais tarde. Foi um almoço agradável. Aproveitei para tirar as botas e meus pés ficaram muito gratos.

Depois de devidamente descansada e alimentada foi a hora de tirar fotos, e aja foto!

Um dos integrantes do grupo de franceses, veio me parabenizar por eu ter chegado e depois disse: “Quando eu vi a sua camiseta, lá no topo descendo, pensei, ela conseguiu! E fiquei mais tranquilo” que fofura! Ele estava cuidando de mim… Pena que era um babaca que achava que no Brasil só tinha mosquito e cobras (segundo ele mesmo me disse).

Em torres del paine no verão, o sol se põe às 10h30 da noite então, tempo era o que eu mais tinha, fiz as contas e para voltar ia levar coisa de 2 horas (exagerando) se fosse tranquila (voltar sempre demora menos que chegar), resolvi ficar bastante tempo, sentindo a energia do lugar, vendo o movimento dos grupos. O grupo de franceses ficou coisa de 40 minutos e foi embora, tinham que voltar ao primeiro refúgio e a caminhada ia ser bem puxada. Me despedi dos meus amigos chilenos e foi a última vez que vi meu primeiro amigo de trilha, depois eles seguiriam para el calafate e não o veria mais. Fiquei olhando ele se afastar com uma pontinha de tristeza, mas assim é na caminhada, pessoas vem e pessoas vão.

O legal de ficar mais tempo é que as nuvens caminham também. Não demorou muito elas saíram da frente das torres e minhas fotos melhoraram sensivelmente. Conheci um casal de brasileiros e ficamos conversando, trocando informações e fotografando. Foi bom falar português, num mundo rodeado de estrangeiros. Eles estavam fazendo o circuito “O” que dá a volta inteira no parque e sinceramente, eu não senti nenhuma inveja deles, se tomar de base o primeiro dia de caminhada, com mochila nas costas e peso, o “W” já estava de bom tamanho para mim.

Quando me dei por satisfeita me despedi do casal e continuei meu caminho. 1h40m depois já estava de volta ao refúgio chileno, feliz por poder tomar um reparador banho quente e descansar.

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Publicado às 16 de janeiro de 2016 por em Torres del paine e marcado , , , , .
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