Sozinha mundo afora

Para mulheres que viajam sozinhas

Torres del Paine – 3º. Dia – Trekking lago Nordenskjöld.

O terceiro dia é o dia fácil, segundo dizia o mapa que recebemos no primeiro dia. Sabia que ia encarar 11 km, por uma estrada que beira esse lago de nome impronunciável, que eu resolvi chamar de lago fotogênico, tamanha a quantidade de fotos que tirei dele, cada hora mais e mais bonito e fotogênico.

Saí cedo do  refúgio Chileno depois de um café da manhã animado com os amigos brasileiros que eu fiz lá, quando voltei à tarde da base torres. Eram duas senhoras e um senhor de trações orientais, ali pela terceira idade, eu chutaria 65 anos, mas é difícil dizer  e eu não ia ser indelicada de perguntar. Viajar para fora do país meio que faz a gente de aproximar dos iguais e eu os escutei falando português e me aproximei. Me identifiquei muito com uma das senhoras e desconfio que eu sou ela amanhã, depois de saber todas as trilhas que ela já havia feito.

Nos despedimos depois do café, eles iam seguir para Las torres e eu ia para Los cuernos, o próximo refúgio.

O caminho para Los Cuernos a partir do refúgio Chileno é uma fofura só. Anda-se coisa de 30 minutos até encontrar uma placa escrito “atalho para los cuernos” e aí a estrada vira uma coisa fofa, fofa, fofa! Sempre beirando o rio fotogênico e cheia de margaridas e outras florezinhas, é um encanto. A programação do dia era apenas chegar a Los Cuernos então eu tinha muito tempo. Um dia inteiro! E decidi aproveitar.

Aqui entra o “pró” de fazer trilha sem grupo e sem guia: você pode fazer as paradas onde bem entender, pelo tempo de quiser na hora de decidir e isso não tem dinheiro que pague. O rio Nordenskjöld é algo de espetacular! De um azul profundo que encanta e a cada curva ele fica mais lindo e mais lindo. A estradinha era de uma beleza que emocionava, o único contra era levar a mochila que pesava barbaridade e ali pelo km 5 já me doía as costas, ombros… ia rezado baixinho para receber alivio do peso: “senhor, alivia esse peso, por favor senhor, alivia esse peso…” dali a pouco começou um pensamento se formar na minha cabeça: “ajusta essa mochila, olha os ajustes da mochila…” e eu então resolvi brincar com os ajustes da mochila e percebi que mexe ali, aperta acolá, a mochila fica mais leve… Deus fala mesmo com a gente! (risos).

No caminho vi coelhos, pássaros sem conta e dois condores – um levando uma presa nas garras – e esse foi sem dúvida nenhuma o dia mais gostoso na trilha e a trilha mais linda de todas.

Parei em mirantes para descansar e fotografar; parei para apreciar a vista, simplesmente; Parei pra pensar na vida; parei na beira do rio para almoçar e molhar os pés… enfim, fiz o que eu quis, como eu quis e me senti livre! E foi a sensação mais gostosa do mundo. Ninguém me dizendo o que fazer, ninguém pressionando pra andar.

No mapa dizia que seriam 4 horas de caminhada, mas eu fiz em 6 horas. Cheguei bem cansada no refúgio e me deram um quarto minúsculo que para um entrar, outro tinha que sair. Mas sinceramente eu nem liguei, estava cansada demais para achar ruim.

O dia “fácil” foi bem fatigante, apesar de lindo. Nem queria pensar o que seria o dia “difícil”.

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Publicado às 17 de janeiro de 2016 por em Torres del paine e marcado , , , .
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