Sozinha mundo afora

Para mulheres que viajam sozinhas

Circuito Torres del Paine – 5º. Dia – glaciar gray

Quinto dia de trilha, ultima perninha W. admito que estava bem cansada. Teria uns 20 km pela frente, de subidas e descidas com a mochila nas costas. Mas era o que tinha então, vambora! Destino: Refúgio Gray e glaciar gray.

Na metade do caminho, o lago pehoe.

O caminho do refúgio domos francês até refugio paine grande é tranquilo, lindo e refazedor de energia. Em dado momento ninguém ia e ninguém vinha, eu sozinha caminhando, hora parava para fazer fotos, ou descansava para beber agua e aliviar o peso das coisas, aquela manhã tão linda que parecia milagre, que faz a gente pensar que os índios estavam certos, Deus não estava lá no céu, num lugar inalcançável, Deus esta aqui! E inteligente não é quem mora na cidade cheia de tecnologia e concreto e totalmente desconectada da natureza.

Estava eu com todos esses delírios quando vi um animal atravessando a trilha. Pensei que fosse um cavalo, mas aí percebi que ele tinha chifres, era como um veado só que maior, não sei que animal era. Paramos um na frente do outro, cada um avaliando se o outro era uma ameaça. Ele me olhava com a mesma curiosidade que eu o olhava, eu queria pegar a câmera e fotografa-lo, mas tinha medo dele se assustar e me atacar. Ficamos assim uns segundos, nos olhando olho no olho, até ele resolver que eu não era ameaça e seguir o caminho dele, ele ainda olhou para tras uma vez e eu tomei coragem de fotografa-lo de longe, a foto não ficou muito boa, mas a sensação do nosso encontro ainda está comigo, enquanto escrevo esse relato.

Contando essa historia a um amigo chileno ele me contou que o animal que eu vi chama-se Huemul. Ele vive nas regiões andinas do Chile e Argentina e está ameaçado de extinção. E ele se mostrou para mim, que benção!

Nessa trilha eu também vi um pica pau e ele tinha cabeça vermelha igual pica pau do desenho.

Demorou umas três horas para eu chegar no refúgio Paine Grande, resolvi parar para descansar. Na verdade estava resolvida a não dar mais nenhum passo. Estava com os pes doendo horrores. Só conseguia pensar que ainda teria que andar mais 11 km até refúgio gray e depois no dia seguinte tinha que sair de lá as 7 da manha para não perder a balsa que me levaria embora. Estava resolvida a trocar de refugio e dormir ali em vez de seguir até o gray. Parei na recepção e o recepcionista falava português! E acho que ele adorou que eu estivesse ali para treinar. Expliquei para ele que tinha reserva no gray mas queria trocar ele disse que não tinha problemas e eu quase tive um orgasmo (risos). Preenchi os formulários e ele me levou ao meu quarto, que era o quarto mais fofo e confortável de todos que já havia ficado até então, com direito  a toalha, xampu e sabonete! E a janela! Uma vista incrível para as montanhas. Estava felicíssima de trocar de refúgio e com uma certa tristesinha por desistir da ultima perninha do W. Tomei um banho demorado e refrescante, levai minhas roupas e pus para secar na janela e desci para almoçar. Comi a comida dos deuses e tome uma coca cola geladinha, sentei para descansar no sofá mais confortável do mundo e comecei a sentir uma coceirinha… queria ir ate a ultima perninha do W. Pensei que era cedo ainda, ia escurecer só as 11 da noite, e eu não estaria mais com o peso da mochila, resolvi que não ia fazer mal ir até lá, afinal, eram só mais 11 km… Reuni coragem e resolvi ir, o recepcionista que falava português me ensinou o caminho e lá fui eu. O caminho era de um bosque, mas acho que foi onde o fogo atingiu o ano passado, as arvores estavam queimadas e mortas, era meio mórbido, mas igualmente lindo. No caminho encontrei meu amigo que se perdeu, ele voltava da trilha e me disse que ainda faltavam umas duas horas. Na verdade eu peguei informações erradas e achei que o primeiro mirante era o mais próximo que chegaria da geleira, mas depois descobri que poderia ter andado mais e chegado bem pertinho. Paciencia! Eu já estava bem cansada mesmo então, até ali já foi de bom tamanho. A volta foi super rápido! 1h40 eu já estava de volta ao refúgio. Quando voltei pro quarto descobri que tinha companhia, um francês (logico), trocamos poucas palavras e eu fui aproveitar a tarde linda para ler e descansar. Dia seguinte iria embora.

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Publicado às 19 de janeiro de 2016 por em Torres del paine e marcado , , , .
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