Sozinha mundo afora

Para mulheres que viajam sozinhas

Circuito W Torres del Paine – 4º dia – Mirador Britanico

Eu sabia que o quarto dia ia ser o dia difícil, ainda mais porque eu já estava acumulando cansaços e dores e uma certa raiva da minha mochila, olhava para ela já com uma certa mágoa, coitadinha.

No café da manhã encontrei a americana que ficou no meu quarto no primeiro dia, tomamos café juntas e conversamos sobre a dificuldade do dia. Depois do café é hora de reunir as coisas e a coragem e seguir: missão do dia – Andar 5 km até o Domos francês, deixar a mochila e seguir sem peso até o mirador britânico (mais 9 km) depois descer tudo, uns 23 km ao todo, e estava quente, e estava sol.

O início da trilha é bem lindo, mas tipo BEM LINDO! É tão lindo que o peso da mochila nem estava incomodando. A manhã estava deslumbrante e aproveitei para fotografar, admirar o lago fotogênico e até me arriscar a molhar o pezinho na agua geladinha, já que caminhava numa prainha incrível. Encontrei novamente a americana e fomos conversando parte do caminho, mas logo essa paz toda acaba e começa a subida. E sobe, e sobe! Olhava para tras e via a prainha tão pacifica que ficava tão pequena que eu nem acredita que tivesse subido tanto.

Três horas depois do início da trilha, chegava finalmente no domos francês, para fazer check in e deixar a mochila pesada. Como cheguei as 10 da manhã fui informada que check in só as 12h00 mas eu poderia deixar a mochila e quando voltasse da trilha meu quarto já estaria pronto.

Beber agua, refrescar, fazer xixi, separar lanche, agua, protetor solar, boné e lá vamos nós pra trilha novamente em direção ao mirador francês e depois mirador britânico.

E sobe, sobe, sobe. Meus pés começaram um movimento de revolta, reclamando das dores e dos maus tratos. Tentei ignorar e continuei subindo. De tempos em tempos ouvia um trovão, eram as avalanches que aconteciam na montanha ao redor, quando a neve descolava e caía. Assustador, lindo e hipnótico. Impossível não admirar.

Cheguei no primeiro mirante na hora do almoço. Montei um piquenique e almocei olhando a montanha gelada de um lado e o lago lindo do outro. Meus almoços foram todos os dias num lugar incrível.

Depois de dar um descanso dos meus pés para parar a reclamação, segui o rumo: mais 1h30 de subida até o segundo mirante.

A trilha é bem demarcada, com estacas aqui e ali ou marcações pintadas nas arvores, além do caminho, uma estradinha de terra ou pedra bem demarcada, não existe possibilidade de se perder. Eu me perdi.

Estava andando na estrada tão distraída tirando fotos que não reparei nas marcações da estrada, e cheguei numa pedreira que não tinha dica nenhuma de como ir. Percebi que estava perdida. Resolvi voltar o caminho que havia feito, na esperança de encontrar mais gente. Dali a muito vi um rapaz, falei com ele em inglês mas ele respondeu que não falava inglês. Falei com ele em portunhol e ele entendeu. Perguntei se podia ir com ele e expliquei que estava perdida. Ele deixou eu ir com ele, mas o fato é que naquele ponto que encontrei ele, ele também já estava perdido. Ficamos caminhando e subindo e descendo fora da trilha por mais de uma hora. Estava exausta! E preocupada. Mas dali a pouco resolvemos voltar todo o caminho e encontramos outras pessoas e aí sim, voltamos pra trilha, seguindo as amadas marcações. Nesse ponto já era questão de honra chegar ao mirante britânico. E chegamos.

No fim das contas eu e meu novo companheiro de aventuras tínhamos algo diferente para contar quando chegássemos em casa.

O mirante era espetacular com vista sensacional e super valeu ter chegado a ele. Ainda encontrei um casal de brasileiros e ficamos papeando.

Depois de fotos e contemplação hora de descer tudo de voltar pro domo francês, banho quente e comida.

Cheguei no refúgio mortinha, mortinha. Eram 8 da noite.

Meus pês doíam tanto que se eu pudesse não dava mais nenhum passo nunca mais. Tomei banho bem demorado e fui jantar. Conheci um guia chileno e ficamos conversando, ele me mostrou fotos dos lugares que já tinha ido e o jantar foi bem agradável.

Depois do jantar eu só pensava em dormir. Fui pro quarto e desmaiei, só acordando no dia seguinte para o penúltimo dia de trilhas.

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Publicado às 19 de janeiro de 2016 por em Torres del paine e marcado , , , .
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