Sozinha mundo afora

Para mulheres que viajam sozinhas

Torres del Paine – os prós e contras de fazer o circuito sozinha

Encarar fazer o circuito W de Torres del Paine sozinha é um desafio e um prazer, nesse post vou falar dos Prós e contras de fazer o circuito por si só.

Prós:

  • Voce é a dona absoluta do seu tempo e da sua logística.

Não vai ter um guia te dizendo a hora de acordar, a hora de tomar café, a hora de arrumar suas coisas, a hora de descansar, a hora de caminhar. É você quem vai definir que hora vai tomar café, que hora vai começar a trilha, onde vai fazer suas paradas e que hora vai almoçar.

  • Não existe a pressão do grupo.

Querendo ou não, numa trilha que se faz com um gruo, acaba sempre rolando uma competiçãozinha, mesmo que inconsciente. Ninguém quer ser o ultimo a chegar, ninguém quer ficar para tras. Claro que sempre tem aqueles que são mais rápidos e os que são mais devagar, mas mesmo que subgrupos se formem dentro do grupo, os subgrupos competem entre seus membros. A pressão do grupo está lá.

  • Não existe o bla bla bla.

Caminhar em grupo é caminhar conversando. E é conversa que não acaba mais. Tem gente que consegue a façanha de falar durante toda a caminhada sem parar nem na hora do descanso! Caminhar sozinho é a oportunidade de ouvir a natureza, ver a natureza. Nessa trilha eu vi Huemul (muito raro de ver), coelhos, pica pau, pássaros e até dois condores. Como não tinha ninguém para tagarelar do lado, tive muito tempo para observar, ouvir e prestar atenção.

  • O caminho é seu!

Achou uma arvore linda e com uma sombra magnifica e convidativa? Você pode descansar ali. Passou numa prainha que é um encanto? Você pode parar ali. Passou num mirante que parece saído de contos de fadas? Você pode ficar ali! A grande vantagem de Torres del Paine no verão é que os dias se estendem até as 11 da noite. Você tem tempo. Pode decidir fazer a trilha pelo tempo que te der vontade.

Você pode até mudar seu caminho, como eu fiz no ultimo dia, trocando o gray pelo paine grande. Você não precisa fazer o que o grupo faz, você é dona do seu destino.

  • Oportunidade de conhecer pessoas de todos os grupos.

Conheci pessoas de um grupo de franceses que faziam a trilha, e de um grupo de coreanos, de um grupo de brasileiros e de um grupo de chilenos. Ser uma sem-grupo te dá a liberdade de participar de qualquer grupo sem se envolver ou se comprometer com nenhum.

Contras:

  • Sabedoria do guia.

Caminhar com um guia tem a riqueza da sabedoria dele acerca do caminho. Ele sabe tudo que há para saber sobre o lugar. As lendas, os acontecimentos, a vida selvagem… se aprende muito com um bom guia.

  • Fazer amigos para sempre.

Passar dias numa trilha “perrengando” com outras pessoas cria um elo difícil de quebrar. Você sempre vai lembrar de alguém de alguma trilha que você fez e agora com a invenção das redes sociais, uma trilha pode te trazer amigos para toda a vida.

  • Você só se preocupa em andar.

Numa trilha com guia e grupo sua única preocupação é andar. Nem precisa decorar o caminho, isso é problema do guia. E com alguma sorte e um pouco mais de dinheiro, você até contrata um “porter” e ele quem leva sua mochila pesada.

Essa foi a primeira vez que eu fiz uma trilha sozinha, sem guia ou grupo e foi uma experiência que vou levar para sempre comigo.

Quando eu chegava nos refúgios, ficava analisando o comportamento dos grupos, dos guias e pensava: “gente! Será que eu sou assim também quando estou em grupo?”

Observei como as pessoas são mimadas e exigentes e como elas extenuam o guia, que subiram horrores no meu conceito, eles aguentam situações bem chatas as vezes, com o mesmo bom humor sempre.

Outra coisa que me chamou atenção que antes eu não notava é como as pessoas falam. As vezes eu estava caminhando e passava por algum grupo. Estavam sempre tagarelando, muitas sobre suas vidas pessoais, suas coisas. Isso meio que irritava um pouco, devo dizer com certa vergonha, afinal estou fazendo um julgamento aqui. Mas me incomodava aquele tagarelar sem fim. A trilha ficava bem mais legal quando eu estava longe de pessoas, ou quando elas estavam simplesmente andando sem conversar muito.

Me lembrei de uma vez que estava no Monte Roraima, no monte Maverick olhando a paisagem mais incrível e duas mulheres do meu grupo do lado falando de trabalho. Será que elas estavam conseguindo ver a paisagem ou estavam tão interiorizadas no cotidiano que só enxergavam elas mesmas?

As vezes eu conversava com alguém e a pessoa perguntava em que grupo eu estava e eu dizia que estava sozinha.

“Alone? Brave girl!” Diziam. Não sei se eu era corajosa. Não sei se para fazer a trilha sozinha requer coragem, acho que não, até porque vi muitas mulheres fazendo o mesmo que eu. Acho que requer vontade de estar com você mesmo de companhia. De um pouco de autoconhecimento e desprendimento. Eu recomendo!

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Publicado às 31 de janeiro de 2016 por em Torres del paine e marcado , , , , , , , , .

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