Sozinha mundo afora

Para mulheres que viajam sozinhas

Sitio arqueologico e Pukara

Acordei cedo, sem marcar nenhum passeio, queria conhecer a cidade, sem a pressão do guia nos meus ouvidos me dizendo que tinha que voltar ao ônibus.

Resolvi que, seja lá o que eu fosse fazer, faria a pé.

Fazia uma manhã esplendorosa! Um ceu azul profundo realmente tocante, passeei pela cidade tirando fotos, cheguei na praça principal onde, as quintas e sextas, é montado um cinema a ceu aberto. A igrejinha da praça está sendo restaurada. Encontrei um café muito simpático e entrei perguntando se eles serviam desayuno, serviam. Escolhi a opção numero 3, sentei e aproveitei para me atualizar dos amigos pela internet.

Tomei café da manha como se o mundo nem existisse, depois saí pra rua com as energias renovadas e perguntei a um senhor onde eu poderia ir a pé, para fazer fotos e conhecer. Ele então me falou de Pukara pronunciasse Púkara), um sitio arqueológico. Ficava a 3 km de onde eu estava seguindo a direção que ele apontou. Lá fui eu, devia ser 9h30 da manha mas o sol já castigava. Parei num ponto de ônibus para atualizar o filtro solar e acabei puxando assunto com o senhor que estava no ponto. Chileno, já conheceu a floresta amazônica brasileira, viu onças e jacarés e não gostou dos mosquitos que eram demais. Perguntei a ele se estava no caminho certo, estava. Segui viagem.

O legal de andar é que vc vai vendo detalhes que de carro te escapam, uma placa de anuncio engraçada, um ônibus diferente, uma florzinha super fofa….

Andei coisa de 300 metros e já estava reconsiderando a ideia de andar a pé… Estava quente demais, eu ia fritar… enquanto confabulava, passou um carro e eu, por instinto, estiquei o polegar, numas de quem sabe… e não é que o motorista parou? Expliquei onde estava indo e ele me deixou subir, no carro mais um casal, perguntei de onde eram e eram todos chilenos. O motorista falava português bem, comentou da quantidade de brasileiros que tinham lá, perguntou se havia acontecido alguma promoção pro atacama, fomos conversando, comentei com ele que precisava aprender espanhol de verdade para não depender do terrível portunhol e ele respondeu:

– Mas portunhol já é língua oficializada! Nunca perca seu portunhol, por favor.

Em 5 minutos já estava na entrada de Pukara, agradeci aos tripulantes do carro e segui meu caminho.

Chegar no sitio arqueológico não é difícil, nem fácil. O sol e o calor atrapalham um pouco, especialmente porque não existe uma sombra pra contar a historia. Claro que para mim que gosto de fotografar, estar sol e o ceu azul foi um bônus. Dava par ver San Pedro inteira.

Fotografei o sitio, li a explicação sobre o lugar, encontrei um guia e ele me explicou que eu poderia ir somente até ali, mas que o outro caminho (voltando tudo e começando a estrada novamente, no sentido oposto) me levaria no pico mais alto, de onde eu poderia ter uma vista de 360 graus. Quem resiste? Seriam 1h30 de caminhada para subir e descer, embaixo de sol forte e sem sombra.

Comprei uma agua no restaurante da base, respirei fundo e lá fui eu.

Um passinho, dois passinhos, uma fotinho… não era difícil, na verdade, só era complicado devido ao sol de deserto. A vista ia ficando melhor e melhor a medida que eu avançava. Achei que no topo não teria nada, no máximo um mirante, mas qual não foi minha surpresa quando, ao chegar no topo, existia um monumento em homenagem aos atacamenhos que foram degolados por resistirem ao domínio espanhol.

E no topo, tb tinha sombra! E fresquinha! Abençoada sombra.

Fiquei ali admirando a paisagem, pensando nesse massacre e comparando a nossa insignificância com a grandiosidade da mãe natureza, a Pachamama.

Quando me dei por satisfeita desci. Era sol das 13h30. Parei novamente no restaurante base para comprar uma bebida gelada, fui ao banheiro, me lavei um pouco para tirar o amontoado de poeira, na saída um dos guias me ofereceu uma fruta local, que vinha de uma arvore que provavelmente estava lá desde a colonização da cidadela. Doce e gostosa. Agradeci e segui meu caminho, vencer os 3 km que me levariam de volta a um chuveiro de verdade.

Depois de caminhar 50 metros, vi um carro, novamente fiz sinal de carona e ele parou.

O motorista me deixou no centro da cidade e eu fui almoçar, feliz da vida.

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Publicado às 10 de janeiro de 2015 por em Atacama e marcado , , .
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