Sozinha mundo afora

Para mulheres que viajam sozinhas

Chapada dos Veadeiros – Parque Nacional

Acordei no meu segundo dia já resignada a aceitar o que acontecesse, sem expectativas. Arrumei minhas coisas e fui tomar café. O hostel cata-vento é um lugar incrível de lindo, silencioso, não existe silencio no meu dia a dia e tomar café quase ao ar livre ouvindo pássaros cantarem é muito mais que uma paulistana pode esperar da vida. Enquanto tomava café o Ivan veio falar comigo sobre minhas possibilidades de passeio. Eu queria muito conhecer o parque nacional, que a entrada fica em São Jorge – 35 km de distância –  e ele me disse que poderia chamar um taxi para me levar, por 70,00  e depois eu poderia voltar de carona para alto paraíso. Aceitei, era o que tinha para o dia.

Cheguei na porta do parque nacional chapada dos veadeiros sem maiores problemas, o taxista muito gentil e conversador me deixou na porta e me deu seu telefone caso eu quisesse que ele me pegasse na saída. Agradeci e segui meu caminho. Não se paga para conhecer o parque e deve ser o único lugar. Na portaria, você precisa preencher um formulário e escolher qual trilha quer fazer – Cânions e carioquinhas ou Saltos – escolhi cânions porque o guarda parque disse que era mais bonita e boa para tomar banho e como eu tinha intenção e voltar outro dia, faria a segunda em outra ocasião. A trilha tem 11 km no total. Preenchi os formulários, assisti um vídeo educativo e lá fui eu. Um rapaz, que também preenchia o formulário quando eu estava na recepção, também ia para os cânions e eu perguntei se podíamos ir juntos, e ele disse que sim, iriamos conversando e o tempo passaria mais rápido, adorei! Especialmente por meu problema de falta de senso de direção, comentei isso com ele e ele disse:  “Poxa! Mas eu estava te esperando justamente porque não tenho senso de direção! ” E nós dois rimos, e fomos prestando atenção no caminho que é super bem sinalizado, não existe como se perder mesmo! Eu e o rapaz éramos muito parecidos em muita coisa: ambos não tinham senso de direção, não sabíamos nadar e estávamos bem insatisfeitos com alguns aspectos (os mesmos) de nossas vidas. Foi legal ir conversando com ele, ali pela metade da trilha uma moça também se juntou a nós e fomos os três.

Os cânions é uma formação rochosa fantástica e impressionante, com uma vista das quedas d’agua muito incríveis e ficamos horas fotografando e contemplando. Encontrei duas meninas que estavam no hostel no dia que cheguei, mas que estavam indo embora, iam se hospedar em são Jorge e fazer os passeios de lá, elas ficaram felizes de me ver, porque eu estava bem chateada com a falta do carro e me perguntaram como eu havia chegado e ficamos papeando um pouco. Depois seguimos a trilha até a agua para um banho, como estava sem colete fiquei na beiradinha e os peixinhos canibais me mordiam as vezes, que me causava certa irritação, queria estar lá no meio onde não tinha quase ninguém e nem peixinhos mordedores. Saí da agua e fiz um lanche, lagarteei no sol e depois seguimos caminho até o outro lado do cânion, achamos umas piscinas naturais que eram coisa de louco de tão lindas, e tranquilas e silenciosas, comparada com o lago principal, cheio de gente. Eu e a Carol ficamos numa dessas piscinas enquanto o Alisson foi caminhar mais. Ficamos conversando e deixando a agua nos acariciar, na maior preguiça. Tem um lado bom em fazer passeio sem guia, podemos explorar lugares que o guia não leva, como ali, e não temos a preocupação de ir embora na hora planejada, vida sem planejamento também é boa e eu estava aprendendo essa lição na chapada dos veadeiros.

Depois que o Alisson voltou da sua exploração – tinha encontrado uma prainha, com areia e tudo mais adiante – nós seguimos o caminho para a segunda parte da trilha, carioquinhas.

Lindo lugar! Com uma queda d’agua bem legal, e um poço bem fundo… tristeza… sentindo falta do colete, fiquei ali na beiradinha depois de fazer fotos até cansar. Eu e o Alisson que também não nadava, o que fazia a beiradinha não ser assim tão chata.

Uma moça passou por mim de colete e saiu da agua, devo ter olhado para ela com cara de piedade porque ela ofereceu seu colete, disse “é daquele guia ali, mas ele não vai achar ruim… “ disse que não ia mais entrar na agua e eu aceitei o colete, fui até o guia e perguntei se podia usar e ele disse que eu poderia ficar à vontade. Fiquei!! Que delicia poderia ir mais no fundo! Adorei! Já era perto das 16 horas quando resolvemos voltar, ainda teríamos que vencer uns 5 km para voltar a saída do parque.

Sentia super disposição para caminhar e ditei o ritmo para os dois, que me acompanharam de boa. Passamos vários grupos pelo caminho e desconfio que fomos os primeiros a sair. Na saída a Carol, que estava hospedada em São Jorge, nos indicou um lugar para almoçar, o restaurante da Nenzinha que servia comida caseira por quilo que era uma delícia! Fiz um prato de refugiado tamanha minha fome, o Alisson comprou cerveja para nós e foi a melhor refeição da vida!

O restaurante da Nenzinha é parada de quase todo mundo que faz a trilha no parque e não demorou ele estar lotado, com as pessoas que estavam na trilha. Não foi nada difícil conseguir carona para voltar a Alto paraíso para mim e o Alisson, com o guia que me emprestou o colete. Ele conhecia o hostel onde eu estava e me deixou lá na porta, super dia produtivo e feliz.

Terminei a noite batendo um papo super animado com a Rita, minha amiga de quarto que ia embora no dia seguinte. Ela me mostrou fotos da sua cidade em Portugal, Mértola, cidade medieval com direito a castelo na colina e tudo mais, um encanto! Rimos muito, papeamos demais e depois fui conhecer os demais hospedes que chegaram naquele segundo dia, que conversavam em volta da fogueira, um casal de Piracicaba – SP e um trio do RJ. Todos iam fazer um passeio para a cachoeira do sossego no dia seguinte e eu descobri feliz que o Ivan já havia me incluído no passeio, ele iria nos guiar.

O céu estava um espetáculo e aproveitei para tentar mais fotos das estrelas. O cansaço foi me vencendo e eu fui dormir, com o dia seguinte, dessa vez, programado.

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